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Mostrando postagens de Março, 2010

MOÇA COM UM BRINCO DE PÉROLA (GIRL WITH A PEARL EARRING, 2003)

Como não se comover diante de uma cuidadosa produção fílmica que tem como contexto a criativa história sobre o quadro pintado por um dos mais importantes pintores holandeses?
Longe de ser um filme sobre o pintor Johannes Vermeer (1632-1675), considerado ao lado de Rembrandt um dos grandes pintores da Holanda, o filme é sobre uma de suas obras: A Moça com um Brinco de Pérola. O que nos chama a atenção é que o filme é baseado no romance homônimo da escritora norte-americana Tracy Chevalier que por sua vez se baseou na pintura de Vermeer para criar uma das mais singelas adaptações de romance para o cinema sobre a possível história da musa inspiradora do artista. O roteiro do filme é assinado por Olivia Hetreed.
Muitos quando veem um quadro e percebem nele a presença viva de alguém, se perguntam inevitavelmente sobre a identidade da modelo, sobretudo quando a imagem nos passa uma realidade, nos faz sentir que há vida naquela tela. Naquela época, a modelo era uma ilustre desconhecida, não …

UM SONHO POSSÍVEL, (A Blind Sider, 2009)

Assisti há pouco o filme estrelado por Sandra Bullock, vencedora do Oscar de melhor atriz. Um Sonho Possível é um misto de drama e comédia que revisita um tema muito comum na filmografia hollywoodiana: a hitória de um adolescente negro e pobre resgatado por uma família rica e branca. Contudo, essa síntese descontextualizada impede que olhemos o filme de uma maneira mais ampla a fim de que possamos entrever os meandro os possiveis significados a partir da teia complexa que reune simbologias históricas em um momento histórico específico. Essa atualização da memória com seu jogo simbólico nos interessa profundamente.

O esporte aparece no filme como metáfora da vida. Cada jogador tem uma função dentro do campo e cada um deles atua para o sucesso do seu conjunto. É um esporte coletivo, como deveria ser a própria vida. A história de Big Mike, ou Michael Oher, uma pessoa que desenvolveu uma forte inclinação para a proteção acaba sendo acolhido por uma família rica, cristã e republicana. Com …

AMOR EXTREMO (2008)

O filme Amor Extremo (The Edge of Love, 2008) é da roteirista escocesa Sharman Macdonald (08-02-1951). 

Ela é a mãe da atriz Keira Knightley e assina pela primeira vez um roteiro para cinema, para um longa-metragem, de acordo com a IMDB (The Intenet Movie Database).  
Eu não costumo seguir sinopses, aliás elas quase nunca coincidem com o que a gente vê, mas talvez valha a pena conferir o filme. Para mim, vale pelo roteiro que é de uma mulher e segundo por ser um filme do Reino Unido, o que eu, particularmente, gosto muito.
Voltarei a esse espaço para comentá-lo.

AS POSSIBILIDADES DE ESTUDO SOBRE CINEMA

Quando pensamos em cinema, mais especificamente em uma análise sobre o cinema, nos damos conta de inúmeras possibilidades de realização desse estudo. Evidentemente que o papel da crítica nos últimos vinte anos mudou ou pelo menos não há a consensualidade (ou falsa consensualidade) que se tinha em acreditar na voz da crítica como a voz de deus. Durante o século XIX e a primeira metade do século XX, alimentou-se a ideia de que a racionalidade era objetiva e, portanto, neutros eram os resutados de suas investigações. Com base na suposta neutralidade, impôs-se uma universalidade paradigmática pela qual as práticas sociais deveriam ser compreendidas. Se houvesse uma discrepâcia entre a teoria e a prática, o problema estava na prática e jamais na teoria.
Após os anos 60, a partir dos questionamentos feitos pelos movimentos sociais e com a entrada dos sujeitos pertencentes a esses movimentos nas universidades, passou-se a duvidar da neutralidade da ciência e de sua própria epistemologia, ist…

EVE ARDEN

Algumas pessoas costumam dizer que a vida é costurada por músicas e filmes. Sempre nos lembramos dos filmes que assistimos quando adolescentes e jovens, fosse no cinema ou na televisão. Quem nasceu nos anos 60 e 70 teve na televisão maior companhia do que o cinema, mas o fascínio da grande tela, sem dúvida era algo sedutor, sendo que o surgimento da TV não impediu que as pessoas fossem ao cinema.

Mesmo com a televisão, assistir a um bom filme no cinema era uma experiência única que não envolvia apenas o filme, mas o ritual de ir ao cinema. Lembro-me de aos doze anos ter ido assistir ao filme Grease- Nos tempos da Brilhantina, com John Travolta e Olivia Newton John, proibido para menores de 14 anos. Porém, a minha primeira ida ao cinema foi para assistir a um desenho animado, Cinderela. Eu tinha 7 anos, aproximadamente.
Em 1977, quando o filme Grease foi lançado, eu tinha 13 anos. Comprei um ingresso (meia), mas o porteiro (tinha porteiro, torniquete e lanterninha) não aceitou a minha …

AS SUPERPODEROSAS...

Elas brilharam ontem não apenas pelos modelitos (também, pois faz parte), mas pelo trabalho e profissionalismo. Essas mulheres atuam muitas vezes fora da tela e, por isso, não são valorizadas pelo grande público. 
SANDY POWELL Melhor Figurino: "The Young Victoria" SANDRA BULLOCK Melhor Atriz em "Um Sonho Possível"
MINDY HALL Melhor Maquiagem: "Star Trek"
CHRIS INNER Melhor Montagem: "Guerra ao Terror" 
KATHRYN BIGELOW Melhor Filme e Melhor Direção: "Guerra ao Terror
ELINOR BURKKET Melhor Documentário em Curta-metragem: "Music by Prudence"

SÓ DEU ELA! BIGELOW!

Estou satisfeita. No Dia Internacional da Mulher não poderia haver premiação mais justa e simbólica. Deu Kathryn Bigelow! O mais aborrecedor são os comentários, como este abaixo:
"Guerra ao Terror" foi o grande vencedor da noite, conquistando seis dos nove prêmios a que foi indicado e deixando Avatar para trás, com apenas três estatuetas. Kathryn Bigelow é a primeira mulher a ganhar o prêmio de direção na história do Oscar. Ela foi casada com James Cameron, o diretor de "Avatar", o que deixou a disputa ainda mais acirrada. Confira todos os vencedores" (cineinsite). - grifos meus.
Os comentaristas de cinema continuam se referindo a Bigelow como ex- de Cameron, isto é, mesmo depois de terminado o casamento, o vínculo permanece. Mesmo que fosse casada, o que deveria estar em evidência é o resultado do trabalho e não o seu estado civil. A tutelagem que secularmente acompanhou as mulheres é de uma misoginia terrível. O senso comum só se refere a Bigelow dessa forma, …

OSCAR

A noite do Oscar sempre foi um dia especial para mim desde a minha adolescência. Ficava até tarde esperando ver os premiados da noite, os personagens fora de suas cenas, igualente glamourizados, ou ao contrário aquele personagem roto, estropiado, que aparecia vestido extraordinariamente em traje de gala. Era sempre uma experiência fascinante, de expectativas. Lembro-me muito bem das apresentações de Billy Cristal, um ator de veia comediante, e depois Woophi Goldberg, uma atriz que segue uma mesma linha. Com o avançar do tempo fiquei menos assídua e fui me distanciando das apresentações.
Gostava de ver as explicações sobre cada atividade técnica e a forma de mostrar ao público comum o que era um efeito especial, uma montagem, a fotografia de um filme e a importância do som e da trilha sonora. Ainda que mostrados muito rapidamente, nos dava uma noção sobre o que se estava premiando. A verdade é que esperávamos sempre pelos prêmios de melhor ator, atriz, diretor e filme, pois os outros fa…

PAULINE KAEL

“Quando somos jovens, são boas as possibilidades de que encontremos alguma coisa de que gostar em quase qualquer filme. Mas quando nos tornamos mais experientes, as possibilidades mudam.”  (Pauline Kael)
Pauline Kael (19 de Junho de 1919 – 3 de setembro de 2001 ) foi uma crítica de cinema que escreveu para a The New Yorker entre os anos de 1968 a 1991. Publicou o seu primeiro livro em 1965, Perdi no Cinema e em 1971 Criando Kane.
A leitura de Criando Kane é deliciosa. Kael faz críticas severas aos filmes norte-americanos, mas também é incisiva em relação aos críticos empolados amantes do cinema europeu que ao ostentar um gosto artístico acaba se deliciando com as mesmas baboseiras que aparecem no filme norte-americano. É sua a seguinte eunciação: “Quem, em algum ponto, não partiu obedientemente para aquele ótimo filme estrangeiro e depois mergulhou no mais próximo exemplar de lixo americano? Somos não apenas pessoas cultas de bom gosto, somos também pessoas comuns com sentimentos comuns…

CNEMA E PIPOCA

Confesso que comprei um saco de pipoca pequeno (para mim enorme!) quando fui ao cinema no ultimo domingo. Eu não tinha almoçado e não resisti àquelas coisinhas miúdas, brancas, escapolindo pelas bordas do saco, tão expostas, numerosas e convidativas. Cada convite R$5,00!
Comecei inicialmente a pincá-las com os dedos em número de quatro, mas que reduzi a uma quando já estava satisfeita. Percebi então que não tinha alcançado nem 1/4 do saco. Guardei na sacola. Durante a exibição do filme, não tive vontade de comer, nem me senti motivada a contribuir com a orquestração das bocas.
Ao sair da sessão, percebi o quanto a área de circulação no piso dos cinemas multiplex é fortemente marcada pelo cheiro das pipocas. Fiquei enjoada e desci as escadas o mais rápido que pude.
A venda de pipocas faz parte da vida do shopping que dispõe de máquinas fixas, colocadas em lugares estratégicos e de grande circulação. Juntamente com as pipocas, foi adicionado um item: o refrigerante que sugere a atenuação…