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Mostrando postagens de Janeiro, 2009

A TROCA, Clint Eastwood, 2008

"Se você ri muito, dá a ilusão de que é histérica, se não ri, você é depressiva, se for neutra as emoções se vão." (Carol Dexter, personagem de A TROCA)
A Troca é um desses filmes raros no atual cinema norte-americano. Longe das narrativas regadas a sangue, tiros e movimentos explosivos, A TROCA aparece em meio a calmaria, mas "calm like a bomb", como dizia o grupo RATM. No cenário urbano de Los Angeles, de 1928, uma história real aconteceu: uma mãe (Christine Collins/Angelina Jolie), teve seu filho seqüestrado por um homem que tinha como diversão assassinar crianças a machadadas.
A partir do seqüestro, ela parte em busca do filho, tendo que enfrentar a corrupta polícia local. O contexto histórico em que se passa o filme é o ano que antecede o colapso econômico dos Estados Unidos, chamado de Grande Depressão (1929). A vida de Collins gira em torno do trabalho que a sustenta (ela é mãe solteira) e da busca pelo filho. Certo dia, ela recebe a informação de que seu fil…

O estranho caso...

Apesar do blogue tratar sobre a mulher, não poderei deixar de comenta aqui o filme O Estranho Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), de David Fincher.
Trata-se da história de Benjamin Button, narrada em primeira pessoa, que chega ao espectador pela voz da filha, Caroline (Julia Ormond), quando no hospital, ao acompanhar sua mãe (Kate Blanchet), começou a ler os escritos de seu pai, sob a iminência da chegada de um furacão.
A história parece simples: um homem que nasce velho e morre quando bebê. Contudo, a questão é bem mais complexa, pois ele é único. Trata-se, portanto, da construção da identidade de um indivíduo que, ao nascer biologicamente velho (mas uma criança por dentro) se relaciona em um ambiente formado por adultos e velhos. Quando vai alcançando a maturidade (50 anos), resolve sair de casa em busca da independência, conseguindo emprego em uma embarcação. A partir daí, passa a cumprir os rituais considerados masculinos, em companhia de homens si…

A Governanta (The Governess, 1988), de Sandra Goldbacher

O filme "A governanta" foi o primeiro longa dirigido por Sandra Goldbacher que também assina o roteiro. A ficha técnica é formada predominantemente por mulheres: direção e roteiro (Sandra Goldbacher), produção (Sarah Curtis), edição (Isabelle Laurente), design de produção (Sarah Greewood) e figurino (Caroline Harris). O filme é ambientado na Inglaterra do século XIX (1840) e narra a história de uma governanta judia que, disfarçadamente, trabalha na casa de uma família aristocrática na qual vive um pesquisador em fotografia, seu patrão, um homem de aproximadamente 60 anos. A sua personalidade determinada, o interesse pela ciência e pelo conhecimento, a torna assistente de laboratório. Assim como o filme Camille Claudel, de 1988, a paixão pela fotografia a faz apaixonar-se pelo pesquisador. Nesse ínterim, durante o ritual do Pessach (Páscoa), em seu quarto, acidentalmente, ela descobre que a salmora de ovo ajuda a fixar a imagem: "Ao rezar sozinha o Pessach (Páscoa) a moça…

FATAL (Elegy, 2008), de Isabel Coitex

Fatal (2008) é um filme estadunidense da cineasta Isabel Coixet, baseado no romance de Philippe Roth e estrelado por Ben Kingsley (prof. David Kapesh) e Penélope Cruz (Consuela). A tradução do inglês "Elegy" (Elegia) para o português "Fatal" provocou algumas confusões por parte da crítica que parece não ter percebido a tradução como uma estratégia de marketing.

Elegia é um gênero de poema lírico que traz um sentido de morte, mas que também possui um sentido erótico entoado por poetas como Goethe e Rilke. É um termo pouco usual na linguagem cotidiana, o que talvez tenha influenciado a tradução em optar pela palavra Fatal, mais comume que também guarda um sentido de morte e erotismo. A palavra já serviu a outros títulos de filmes, como "Atração Fatal" (1987), de Adrian Lyne, e romances, a exemplo de "A Mulher Fatal" (1870), de Camilo Castelo Branco, portanto, fazemos parte de um legado cultural formado por um imaginário com base em relações desenf…

Camille Claudel, 1988 (França), de Bruno Nuytten

Assisti há pouco tempo o filme Camille Claudel, do cineasta francês Bruno Nuytten, e é sempre um prazer rever a história de uma mulher que viveu cada momento de sua vida de forma intensa, incompreendida, considerada pelo discurso hegemônico como inadequada, mesmo para a recém revolucionária França do século XIX. O filme biográfico trata do percurso de vida de uma jovem escultora francesa que se viu diante de suas paixões: a escultura e Rodin, com quem estudou e viveu uma paixão avassaladora. Diante da impossibilidade de viver na condição de amante, já que Rodin era casado, e de ter esperança que Rodin rompesse com a esposa, Claudel mergulha vertiginosamente sobre o seu trabalho, perseguida pelo fantasma de Rodin que passa a ser aquele que a explorou . Por conta disso, decide viver trancafiada e isolada para, em seguida, ser internada pelos familiares em um manicômio.

A escultura para Camille Claudel representava a expressão da sua existência, as suas emoções, as suas experiências amoro…