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Mostrando postagens de Setembro, 2010

Quando se gosta, se quer saber a história

Quando gostamos de alguém, seja qual for o nível de afeição, somos compelidas a querer conhecer o objeto da nossa afeição, incluindo a sua história. Durante um bate-papo,  enquanto a pessoa faz um percurso nos labirintos da memória, guardamos várias informações que são selecionadas de acordo com os nossos interesses: as ações, o momento em que aconteceu, os nomes das pessoas que fizeram parte de sua história de vida, enfim, uma série de dados que nos ajudam a fazer conexões e que nos levam a endender o sujeito que está ali diante de nós. Mas isso não acontece apenas nas relações interpessoais...
Quando dizemos que gostamos de cinema, temos afeição por ele, temos a necessidade de conhecer a sua história, quando e onde tudo começou, quem eram as pessoas envolvidas, o que elas pensavam e quais foram as suas contribuições para o cinema hoje. Mesmo que as relações não sejam tão lineares, porque o movimento não se apresenta dessa forma, mas como fluxo e refluxo, apontando para multidireções,…

Canal Brasil: Dias Contados?

Soube recentemente pela atendente da SKY que o Canal Brasil deixará de existir. Segundo ela, não há público interessado pela programação exibida pelo canal. Se localizar um filme nacional já era uma tarefa exaustiva, com a retirada de um canal específico, o acesso aos filmes nacionais ficarão mais raros ainda para o espectador.

O problema do Canal Brasil é que os filmes exibidos são, em geral, longas atuais, quase sempre comédias-românticas exibidas exaustivamente e repetidamente no canal. Filmes mais antigos são raros, como os de Galuber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Bruno Barreto e os filmes produzidos pela Companhia Vera Cruz.
A retomada do cinema brasileiro mostrou um público novamente interessado pelo cinema nacional, mas não despertou, a meu ver, para as massas "do multiplex" (as que me interessam), o gosto pelo cinema, pois gostar de cinema, sobretudo brasileiro, exige um olhar para a sua totalidade: saber a sua história, o seu funcionamento, etc.

Uma Mulher no Cinema de Caetité

Quando fui aprovada em concurso público para o município de Caetité, quis conhecer logo a cidade. Soube por colegas que havia um arquivo público que reunia parte da memória do município através dos impressos. Dirigi-me para lá. Havia um projeto em andamento, na época, com o propósito de conservar os textos e uma proposta também de microfilmar todo o material.
Durante a pesquisa, conheci um jornal local chamado A Penna, dirigido por João Gumes e fundado em 05/03/1858. Havia também um outro jornal intitulado O Dever.  Nestes jornais, pelo menos os que estavam em condições de manuseio, me interessei em saber como viviam as mulheres naquela época . Então, busquei nas páginas e seções os espaços de atuação das mulheres naquela sociedade, como eram citadas e  como participavam da vida cultural da cidade. Além disso, queria saber se eram assinantes do jornal e se contribuiam em alguma seção.
Encontrei várias referências às mulheres: mulheres que adoeciam, se casavam, se suicidavam, eram viole…

UM FILME FEMINISTA PERDIDO NA MEMÓRIA

Há um filme feminista que assisti há quase dez anos, mas não me lembro o nome. Sempre que me encontro com algum cinéfilo, acabo contando um trecho para ver se a pessoa consegue se lembrar. E antes que o filme se perca definitivamente na minha memória ou ela trate de distorcê-lo demasiadamente, compatilharei com vocês o trecho assistido. Quem sabe algum de vocês já não tenha visto?
O filme é do gênero ficção científica. Lembro-me que o cenário era composto por uma terra quente, árida, sem vegetação, habitado apenas por pequenas tribos formadas por mulheres. Cada tribo vivia de uma riqueza natural, além de ser chefiado por uma mulher, uma delas a protagonista, uma anciã. Certo dia chega um homem e uma das tribos o acolhe. A partir daí tudo se modifica: ele tenta se envolver com uma das personagens, que já tinha um relacionamento, provocando conflito entre elas, e tenta, ainda, roubar a riqueza das outras tribos, provocando a discórdia entre elas (e pensar que as mulheres levaram, por séc…

A ESTRANHA PASSAGEIRA (NOW, VOYAGER, 1942)

Título original:Now, Voyager
Gênero:Drama Ano de lançamento:1942
Estúdio:Warner Bros.
Distribuidora:Warner Bros.
Direção: Irving Rapper
Roteiro:Casey Robinson, baseado em livro de Olive Higgins Prouty
Produção:Hal B. Wallis
Música:Max Steiner
Fotografia:Sol Polito
Direção de arte:Robert M. Haas
Figurino:Orry-Kelly
Edição:Warren Low

Quando assisti ao filme A Estranha Passageira percebi que havia alguma coisa nele que não podia ser atribuída a um olhar que não fosse do lugar da experiência de uma mulher. De fato, o filme foi baseado no romance de Olive Higgins Prouty uma romancista norte-americana que escreveu durante o período da primeira e a segunda guerra mundial e que tratava em seus escritos da importância da mulher na sociedade. O filme A Estranha Passageira não poderia ter melhor atriz para protagonizá-lo, já que Betty Davis ficou famosa por encarnar papéis de mulheres fortes e independentes como Julie Marsden em Jezebel, e Margo Channing em A Malvada. Não é diferente em A Estranh…

FOTÓGRAFAS E MONTADORAS

Soa estranho, mas é isso mesmo.
Se a direção de um filme é um campo quase invisível para as mulheres, imaginem as fotógrafas e as montadoras (ou editoras).
Recentemente, pesquisando um filme, localizei duas: Sharone Meir a diretora de fotografia do filme Treino para a Vida (Coach Carter, 2005) e a montadora (ou editora) Madeleine Gavin do filme Quase um Segredo (Mean Creek, 2004). Talvez vocês me digam que existem muito mais delas, mas confesso que não chegava a dar a devida atenção por não conhecer a fundo o papel do fotógrafo e do montador de um filme.
Fico me perguntando se haveria alguma diferença na forma das mulheres captarem uma cena, muito embora a linguagem cinematográfica tenha um código estabelecido para planos e ângulos. No entanto, como por meio dessas ferramentas, da linguagem do cinema, as mulheres têm inserido um olhar que possa deixar escapar alguma ideia diferente do que já existe? Será que elas apenas reproduzem ou vão mais além?

HISTÓRIAS DE CINEMA

Se fôssemos escrever a nossa autobiografia, o cinema estaria presente nela? Que lugar o cinema ocupa em nossas vidas? O cinema foi apenas entretenimento ou cumpriu um outro papel? Foi tentando responder a estas perguntas que me veio a ideia de postar a minha brevíssima história com o cinema.
Antes de mais nada a minha história com o cinema começa paralelamente ao meu contato com a televisão, talvez um pouco antes. A memória já deixa escapar certos detalhes. No entanto, lembro-me que o meu primeiro filme foi Cinderela, um desenho animado de Walt Disney. Eu não sei exatamente precisar qual o impacto do filme em minha vida, mas me lembro de um estado de encantamento. Morava no subúrbio ferroviário de Itacaranha que nos anos 70 era um lugar "far far away" (expressão que remete ao desenho Shrek dado ao nome do reino - "tão tão longe"). Então ir ao cinema era uma tarefa árdua para a minha mãe que tinha que pegar o trem, subir o Elevador Lacerda, sem contar com todo o proc…