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As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.

Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro.
 
Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prometido ao irmão de Lady Marion, morto em batalha, que a protegeria. Lady Marion é forçada a se casar com o xerife de Nothigham (Alan Rickman) que trava uma luta mortal com Robin Hood no dia do casamento, logo após a benção do bispo. Uma luta que Lady Marion só assiste.
 
Já a versão de Ridley Scott, 2010, Robin Hood (Robin Hood) traz como Lady Marion  a atriz britânica Cate Blanchett. A personagem vive com o sogro e espera o retorno do seu marido, um nobre cavaleiro da guarda de Ricardo Coração de Leão, que ao morrer pede que Robin Logstride, um arqueiro, retorne para informar ao pai sobre sua morte. Durante a ausência do marido, Lady Marion protege a aldeia de roubos e tenta se livrar do assédio do cobrador de impostos. A atração entre Robin e Lady Marion é gradativamente apresentada em sequências que mostram ora uma simetria de gênero ora as assimetrias, a exemplo da cena em que ela tenta salvar um filhote de animal de um afogamento. Robin prevê a frustração da iniciativa e resgata o filhote, dando a entender que as mulheres seriam mais emotivas e, por isso, mais impulsivas e  fadadas a gestos sem sucesso. Apesar disso, no final, durante a batalha decisiva que se dá na praia, Lady Marion usa armadura e alinha-se aos cavaleiros para atacar o inimigo. Como não cabe à heroína matar o antagonista, ao travar uma luta contra o malfeitor, desequilibra-se do cavalo e quase é afogada pelo oponente. Quando Robin percebe a investida contra a amada, resgata -a e de quebra mata o inimigo. Esta cena é muito parecida com a do filhote que está se afogando até ser resgatado por Robin Hood. Neste sentido, a assimetria de gênero é reforçada para destacar o papel de gênero atribuído ao homem em duas dimensões sociais (micro e macro): salvar a mulher e libertar o país do inimigo.
 
Se compararmos os dois filmes, vemos que a versão de 2010 está mais próxima de uma representação feminina mais ativa, companheira e lutadora. As relações de gênero se apresentam mais simétrica do que na versão anterior. Mesmo em casa, a presença de Lady Marion é decisiva para a sobrevivência da aldeia já que ela ara a terra, planta, colhe e estoca o alimento enquanto os maridos estão fora em batalha. Na cena em que está prestes a ser estuprada, se defende e consegue livrar-se do inimigo, golpeando-o e matando-o, sugerindo que nem sempre uma mulher terá um homem ao seu lado para livrá-la dos incômodos e que terá de encontrar sozinha meios para sair de situações embaraçosas e, no extremo, violentas. 

Ambas as narrativas não escapam do peso da tradição e ao olhar masculino por detrás das câmeras. Afinal, o filme é sobre Robin Hood e não Lady Marion, mesmo com alguns momentos de equiparação de gênero ao longo do texto.

Como seria um filme do ponto de vista dela?
 
foto divulgação

foto divulgação
 
foto divulgação

foto divulgação
 
 
 

Comentários

  1. Muito legal a crítica. E a do Hao, a nova página só para vídeos, já viram? Bem legal: http://br.hao123.com/movie?tn=fb_self_wt_01_movie_br

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