Pular para o conteúdo principal

A Governanta (The Governess, 1988), de Sandra Goldbacher


O filme "A governanta" foi o primeiro longa dirigido por Sandra Goldbacher que também assina o roteiro. A ficha técnica é formada predominantemente por mulheres: direção e roteiro (Sandra Goldbacher), produção (Sarah Curtis), edição (Isabelle Laurente), design de produção (Sarah Greewood) e figurino (Caroline Harris). O filme é ambientado na Inglaterra do século XIX (1840) e narra a história de uma governanta judia que, disfarçadamente, trabalha na casa de uma família aristocrática na qual vive um pesquisador em fotografia, seu patrão, um homem de aproximadamente 60 anos. A sua personalidade determinada, o interesse pela ciência e pelo conhecimento, a torna assistente de laboratório. Assim como o filme Camille Claudel, de 1988, a paixão pela fotografia a faz apaixonar-se pelo pesquisador. Nesse ínterim, durante o ritual do Pessach (Páscoa), em seu quarto, acidentalmente, ela descobre que a salmora de ovo ajuda a fixar a imagem:
"Ao rezar sozinha o Pessach (Páscoa) a moça causa um pequeno acidente com a salmora do ovo (e quem é judeu entende a importância da salmora e o monte de significados que tem aquela oração). A salmora respinga numa foto e ela descobre que é a salmora que ajuda a fixar a imagem no papel, justamente a grande pesquisa científica que seu patrão passa horas estudando no laboratório." (Sheila Meyer)
No entanto, essa descoberta é patenteada pelo pesquisador que, com um falso "nós descobrimos", se apropria da idéia. A crise do casal inicia quando ela o fotografa nu, dormindo. Os motivos podem ser aparentes, como uma questão moral vitoriana, mas também podem ter dimensões maiores, pois o talento da personagem extrapola, sem excluir, o cientificismo e os motivos financeiros. A fotografia torna-se arte nas mãos da assistente que, ciente de suas habilidades, demite-se do emprego de governanta e abre em Londres (o filme se passa na Escócia) um estúdio que a torna bastante conhecida e bem-sucedida, abraçando a fotografia como arte e profissão.


Comentários

  1. Parabéns, Sra. Leiro. Começou bem seu blog e ganhou um leitor louco pela sétima arte.

    ResponderExcluir
  2. Obrigada Sr. Anônimo. Espero que o blog continue agradando.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

RECÉM-NASCIDOS NO CINEMA

Sinal dos tempos.
Recentemente fui assistir ao filme de animação Rio, no Shopping Salvador Norte, e me deparei com uma cena absurda: um bebê recém-nascido dentro da sala de exibição. Como se não bastasse o carrinho de pipoca e outras guloseimas dentro da sala e das bandejas repletas de frituras, exalando óleo requentado por todo o espaço, temos agora mais esta.
Durante a projeção do filme, o bebê chorava compulsivamente, forçando os espectadores a pedirem constantemente silêncio. Fico me perguntando o que leva os pais a cometerem tamanha tentantiva infanticida, submetendo o seu próprio filho a uma sala extremamente fria, ensurdecedora e repleta de ácaros e outros microorganismos prontos para atacarem o corpo frágil e indefeso do bebê. Imagino que os pais deveriam zelar pelo bem-estar dos seus filhos, serem responsáveis pela sua saúde e não o inverso. Fico me perguntando ainda o que levaria o empresariado a acobertar tal malefício, em nome de uns míseros “reais”.

Trata-se, a meu ver, de …

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NOS FILMES

Uma mulher casada ou solteira é submetida a maus tratos pelo marido ou amante. Esta ideia já serviu de roteiro para vários filmes e a postagem aqui seria longa se analisássemos cada um deles. Alguns destes filmes foram dirigidos por homens, outros por mulheres, mas o importante é que o tema tem sido bastante filmado ao longo dos séculos. O que isso significa?
No dia 08 de março, o mundo se volta às questões da violência contra a mulher, não que em outros dias esta situação não seja acompanhada com intervenção de entidades e de pessoas, mas neste dia formou-se uma rede de ações que dão visibilidade a um problema sério no tecido social. Um problema que adoece a sociedade, transformando os homens em criminosos e as mulheres em cadáver.
A sociedade tem sido a mortalha para muitas mulheres.
Os filmes que tratam da violência contra a mulher são em geral ambientados no espaço domiciliar, com maridos violentos que buscam a todo custo submeter às mulheres a maus tratos físicos e psicológicos. …

As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.
Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro. Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prome…