Pular para o conteúdo principal

Meu primeiro filme

Quando fui ao cinema pela primeira vez tinha 08 anos. O filme era uma animação da Disney - Cinderela.

Eu não me lembro muito bem desta experiência, apenas me recordo de que era algo diferente das diversões costumeiras (subir em árvores, nadar na praia, empinar arraia, pescar siris, etc). Ia ver a história de uma menina criada por sua madrasta que muito a maltratava, assim com as suas filhas, e que um príncipe seria a solução dos problemas da jovem ultrajada, chamada de gata borralheira, uma mulher que andava suja de borralhos (cinzas) ou que representava a sujeira, a pobreza. Esta, por sua vez, seria superada por meio do casamento com o príncipe, afastando-se não apenas dos maltratos, mas da pobreza.

Outros filmes me impressionariam mais, porém projetados na televisão, a exemplo de Lessie, com Liz Taylor bem meninota. O sucesso do filme foi tamanho que ganhamos um collie e o chamamos de Apollo, sim, porque coincidiu com a época do projeto Apollo, nome dado ao foguete que levaria o homem para a Lua.

Depois disso, os filmes passaram a ser vistos na televisão, pois a ida ao cinema era muito desgastante em razão da distância. Assitimos muitos clássicos, já que naquele momento a televisão adquiria da indústria cinematográfica os direitos de exibição. Os filmes exibidos na sessão da tarde eram dos anos 40 e 50 e o mais curioso de tudo isso é que  suspiramos enamoradamente pelos mesmos atores que minha mãe suspirava quando jovem, com a diferença de que, para nós, eles já estavam velhos ou mortos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RECÉM-NASCIDOS NO CINEMA

Sinal dos tempos.
Recentemente fui assistir ao filme de animação Rio, no Shopping Salvador Norte, e me deparei com uma cena absurda: um bebê recém-nascido dentro da sala de exibição. Como se não bastasse o carrinho de pipoca e outras guloseimas dentro da sala e das bandejas repletas de frituras, exalando óleo requentado por todo o espaço, temos agora mais esta.
Durante a projeção do filme, o bebê chorava compulsivamente, forçando os espectadores a pedirem constantemente silêncio. Fico me perguntando o que leva os pais a cometerem tamanha tentantiva infanticida, submetendo o seu próprio filho a uma sala extremamente fria, ensurdecedora e repleta de ácaros e outros microorganismos prontos para atacarem o corpo frágil e indefeso do bebê. Imagino que os pais deveriam zelar pelo bem-estar dos seus filhos, serem responsáveis pela sua saúde e não o inverso. Fico me perguntando ainda o que levaria o empresariado a acobertar tal malefício, em nome de uns míseros “reais”.

Trata-se, a meu ver, de …

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NOS FILMES

Uma mulher casada ou solteira é submetida a maus tratos pelo marido ou amante. Esta ideia já serviu de roteiro para vários filmes e a postagem aqui seria longa se analisássemos cada um deles. Alguns destes filmes foram dirigidos por homens, outros por mulheres, mas o importante é que o tema tem sido bastante filmado ao longo dos séculos. O que isso significa?
No dia 08 de março, o mundo se volta às questões da violência contra a mulher, não que em outros dias esta situação não seja acompanhada com intervenção de entidades e de pessoas, mas neste dia formou-se uma rede de ações que dão visibilidade a um problema sério no tecido social. Um problema que adoece a sociedade, transformando os homens em criminosos e as mulheres em cadáver.
A sociedade tem sido a mortalha para muitas mulheres.
Os filmes que tratam da violência contra a mulher são em geral ambientados no espaço domiciliar, com maridos violentos que buscam a todo custo submeter às mulheres a maus tratos físicos e psicológicos. …

As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.
Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro. Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prome…