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Meu tio me falou de cinema

A vida da gente daria um belo roteiro para um filme, por isso que a matéria-prima do roterista será sempre o cotidiano das pessoas.

Era um domingo e estávamos visitando uma parente em um hospital e foi ali que começamos a falar de cinema.

O meu tio tem aproximadamente 55 anos e foi criado na Roça da Sabina, bairro do Chame-Chame, Salvador. No dia que nos encontramos no hospital, conheci uma de suas faces e fiquei impressionada como ele foi formado pelo cinema: ele gosta mesmo é de faroeste e possui quase todos os filmes em casa. Soube da animação "Rango" por ele e logo fui adquirir uma cópia, já que venho estudando também os filmes de animação.

Um dos momentos interessantes da nossa conversa aconteceu quando mencionei o filme "os brutos também amam" (Shane), protagonizado por Alan Ladd. Lembro-me de ter falado sobre a maneira pela qual a mulher tinha se apaixonado pelo protagonista, e do sofrimento dela quando ele partiu, no que ele me corrigiu  dizendo que todos naquele filme, homens, mulheres e crianças, tinham sido de alguma forma tocados por Shane, se apaixonado por ele. Achei a intervenção do meu tio muito interessante, pois ele de fato tinha olhado o filme de uma forma diferente da minha.

Outro momento interessante da nossa conversa foi quando ele me falou sobre a sua experiência no cinema, sobre a leitura do filme. Os filmes não eram dublados, mas legendados, e ele gostava de recontar o filme para os amigos. No entanto, as pessoas perguntavam na época como ele conseguia contar a história. Ele acabou revelando que nem se dava conta de que não contava os diálogos como apareciam no filme, mas inventava falas e as performatizava quando estava como os amigos.

O cinema propiciou este encontro com a imaginação, com o reconto, enlaçando ideias, pensamentos, atitudes, valores. De fato, meu tio sempre foi um bom contador de histórias, mas não conhecia esta história da vida dele.

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