Pular para o conteúdo principal

ALVIN E OS ESQUILOS 2, 2009

No sábado passado, tirei o dia para levar meu sobrinho (10) e o seu amigo (7) ao cinema. Fomos ver Alvin e os Esquilos 2 (Alvin and the Chipmunks 2: The Squeakuel), um desenho  de aventura (mas classificado como comédia/fantasia/romance) que mistura desenho animado com pessoas "reais", como foi em Uma Cilada para Roger Rabbit, anos atrás.  

Contudo, a aventura não apenas se deu na tela, mas fora desta, pois ir ao Shopping Iguatemi em uma tarde de sábado requer um misto de Mulher Maravilha, Noviça Rebelde e de Uma Babá Quase Perfeita. A saga começa no estacionamento, mas posso pular essa parte para não entediá-los. Daria o preâmbulo de um roteiro trágico, se não fossem os meninos a me distrair (pareciam alheios ao que eu via). Ao entrar no recinto, um formigueiro humano: pessoas cruzando os espaços e, eventualmente, se esbarrando uma nas outras, adolescentes e jovens ao léu  conversando, gargalhando e devorando seus sanduíches com bastante ketchup e batata frita, outros apenas circulavam. Na área de compra de ingressos, as filas eram imensas, mas tivemos a sorte de estar com uma atendente bastante ágil. Conseguimos os ingressos faltando 5 minutos para começar o filme. Subimos apressadamente a escada rolante que, como sabemos, tem seu ritmo próprio e nos deparamos com outra fila imensa. Achei que Avatar fosse arrebanhar a metade que estava ali presente, mas os esquilinhos famosos estavam bombando e também levaram a sua cota.

Nesse meio tempo, troquei idéias com uma mulher da minha idade que estava na fila provavelmente cumprindo também a sua missão. Os meninos que estavam comigo fitaram os sacos de pipoca que espetacularmente se exibiam na vitrine. Pedi que as crianças as comprassem enquanto ficava na fila, mas os apelos visuais eram tão grandes que elas se distraiam e as pessoas passavam em sua frente. A ilustre desconhecida também percebeu e se prontificou a "guardar o lugar" enquanto eu ia ajudá-los. Chegando na fila das pipocas, fomos informados que elas tinham acabado, no entanto tinham dois sacos na vitrine. Questionei e nos venderam os únicos e últimos sacos daquele setor. Não sei para quem estavam reservados.

Confortada, retornei à fila e agradeci a ilustre desconhecida. Como éramos quase os últimos, pegamos um lugar muito ruim (para mim) muito próximo à tela, mas pelo visto não era um incômodo para os meus pequenos convidados.
Assistimos ao filme. Todos se comportaram. Apenas alguns crocs, crocs das pipocas e quase nenhum celular tendo o monitor como lanterna (apenas vi um ligado, mas rapidamente desligaram). As crianças estavam ótimas, os adultos também.

Depois de vivermos uma aventura, podíamos ver uma outra, só que na tela.

O desenho animado em questão trata da história de três esquilos famosos, pop stars, que vão parar em uma escola, depois de um acidente com o seu produtor. Após mil peripécias, eles são escalados para cantar no festival de música da escola, mas Alvin estava dividido entre o campeonato de futebol e a música, ou seja, entre os novos amigos e os seus irmãos. No dia da apresentação, para eleger o representante da escola, ele chega atrasado e as esquiletes, que já tinham agradado antes em uma audição, passam a representar a entidade no evento. O seu agente é um homem inescrupuloso que tenta dividir as esquiletes, promovendo uma delas e relegando as outras duas a meras coadjuvantes. É o esquema (2x2 ao invés de 1x3), isto é, equilíbrio de forças, sendo que pendendo mais para o agente, pois teria o poder sobre o grupo, além da estrela projetada que, certamente, ficaria ao seu lado inebriada pelo sucesso.  Mas elas são espertas.

No final, as esquiletes conseguem se livrar, graças aos esquilos, do agente ganancioso e chegam a tempo para o festival. Depois de um acordo, os seis se apresentam e dividem solidariamente o palco, representando a escola.

Este é mais um dos vários exemplos de filmes dirigidos por mulheres que destaca atitudes positivas como  solidariedade, coletividade e união. Em geral, tem sido essa a opção delas. Ontem estive assistindo Quatro Amigas e Um Jeans Viajante 2 (uma ficha técnica predominantemente feminina, por sinal) que traz também  essa abordagem: amizade, solidariedade, cumplicidade e união entre as mulheres, mas estendida aos homens. As diretoras tem evitado filmar temas que fomentem a agressividade, a disputa e outros sentimentos e práticas que dividem, destróem e exterminam vidas. Talvez por isso a comédia romântica esteja tão em alta entre elas, embora também seja um gênero rentável.

Alvin e os Esquilos 2, de Betty Thomas, que dirigiu também Dr. Dolittle, traz essas questões que se acentuam por ser um filme destinado ao público infantil.  Temas como: auto-estima, traição, confiança, timidez, ambição, compromisso, responsabilidade aparecem no filme direcionando as atitudes das personagens para as atitudes e sentimentos que promovem o bom convívio, aliás muito bem vindos.

FICHA TÉCNICA:

Direção: Betty Thomas
Roteiro: Jon Vitti, Jonathan Aibel e Glenn Berger
Produção: Ross Bagdasarian Jr. e Janice Karman
Podução Executiva: Michelle Imperato, Arnon Milchan, Karen Rosenfelt, Steve Waterman
Música Original: David Newman
Montagem: Matt Friedman
Direção de fotografia: Anthony B. Richmond
Direção de arte: Marcia Hinds
Cenário: Karen Agresti
Figrinos: Alexandra Welker
Casting:Juel Bestrop, Seth Yanklewitz

Imagem divulgação Fox 2000 Pictures.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RECÉM-NASCIDOS NO CINEMA

Sinal dos tempos.
Recentemente fui assistir ao filme de animação Rio, no Shopping Salvador Norte, e me deparei com uma cena absurda: um bebê recém-nascido dentro da sala de exibição. Como se não bastasse o carrinho de pipoca e outras guloseimas dentro da sala e das bandejas repletas de frituras, exalando óleo requentado por todo o espaço, temos agora mais esta.
Durante a projeção do filme, o bebê chorava compulsivamente, forçando os espectadores a pedirem constantemente silêncio. Fico me perguntando o que leva os pais a cometerem tamanha tentantiva infanticida, submetendo o seu próprio filho a uma sala extremamente fria, ensurdecedora e repleta de ácaros e outros microorganismos prontos para atacarem o corpo frágil e indefeso do bebê. Imagino que os pais deveriam zelar pelo bem-estar dos seus filhos, serem responsáveis pela sua saúde e não o inverso. Fico me perguntando ainda o que levaria o empresariado a acobertar tal malefício, em nome de uns míseros “reais”.

Trata-se, a meu ver, de …

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NOS FILMES

Uma mulher casada ou solteira é submetida a maus tratos pelo marido ou amante. Esta ideia já serviu de roteiro para vários filmes e a postagem aqui seria longa se analisássemos cada um deles. Alguns destes filmes foram dirigidos por homens, outros por mulheres, mas o importante é que o tema tem sido bastante filmado ao longo dos séculos. O que isso significa?
No dia 08 de março, o mundo se volta às questões da violência contra a mulher, não que em outros dias esta situação não seja acompanhada com intervenção de entidades e de pessoas, mas neste dia formou-se uma rede de ações que dão visibilidade a um problema sério no tecido social. Um problema que adoece a sociedade, transformando os homens em criminosos e as mulheres em cadáver.
A sociedade tem sido a mortalha para muitas mulheres.
Os filmes que tratam da violência contra a mulher são em geral ambientados no espaço domiciliar, com maridos violentos que buscam a todo custo submeter às mulheres a maus tratos físicos e psicológicos. …

As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.
Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro. Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prome…