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O Feminismo de Callie Khouri

Callie Khouri
Thelma (Geena Davis), em Thelma e Louise (Thelma & Louise), 1991, diz a Louise (Susan Sarandon) que tem talento para desafiar o sistema patriarcal, dizendo ainda que parecia já ter nascido para este intuito. Em O Poder do Amor (Something to Talk About), 1996, Norma Rae (Kyra Sedgwick), sugere que a irmã Grace (Julia Roberts) faça alguma coisa drástica, mas a irmã responde que já tinha feito ao desafiar o poder patriarcal, expondo a hipocrisia da família, a autoridade do pai e do marido e ao emancipar-se, tomando as rédeas de seu destino. Já em Loucas por Amor e Viciadas em Dinheiro (Mad Money), 2008, as protagonistas tentam mudar a sua realidade ao desafiar o poder institucional.

Nos três filmes apresentados, as mulheres aparecem como estrategistas, com grande poder de organização e de cumplicidade, podendo realizar qualquer coisa, assim como os homens, sugerindo que a fronteira estabelecida entre o que os homens e mulheres podem fazer e sentir é uma construção cultural.

A quem interessa a manutenção dessas fronteiras? Como as mulheres estão sobrevivendo (ou não) a elas?

No próximo Encontro do Curso Cinema e Mulher assistiremos Loucas Por Amor e Viciadas em Dinheiro, dirigido por Callie Khouri.

 ***
Callie Khouri é uma texana de 54 anos que desenvolveu três projetos para o cinema como roteirista (Thelma e Louise, O Poder do Amor e Divinos Segredos) e dois como diretora (Loucas Por Amor e Viciadas em Dinheiro e Divinos Segredos (2002)). Apesar dos poucos filmes, Khouri se destaca pela qualidade, por tratar os filmes com uma abordagem visivelmente feminista.

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