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Kathryn Biglow: a primeira mulher...

Kathryn Bigelow se tornou a primeira mulher, em exatos setenta e quatro anos, quando a DGA (Directors Guild of America), sindicato dos diretores, era a SGA (Screen Directors Guild), a vencer o prêmio da DGA na categoria direção de filme de longa-metragem com o filme Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008).

Para entender o feito, basta lembrar que em toda a gestão da DGA apenas uma mulher esteve na presidência: Martha Coolidge (2002-2003), forte o cerco que se interpõe entre as mulheres e os espaços de poder, incluindo a presidência de um importante sindicato. A perspectiva masculina ainda dá o tom e para muitas mulheres entrarem no seleto grupo dos diretores precisam usar estratégias, que funcionam como "senhas de acesso".  

Kira Cochrane questiona em seu artigo no The Guardian: Why are there so few female film-makers? A questão parece oportuna, sobretudo quando temos conhecimento de que no início do século passado havia mais mulheres na direção e produção do que atualmente. As mulheres teriam perdido o interesse? Elas foram induzidas a atuarem  em outras esferas da sociedade? O que lhes teria acontecido ao longo dos anos?

A história do cinema incluirá em suas páginas que uma mulher venceu como diretora a indicação de melhor filme de longa-metragem pela DGA e está prestes a vencer uma outra em março, quando o Oscar será apresentado. Isso não significa dizer simplesmente que tenha também havido uma mudança do ponto de vista de gênero, na forma de olhar, mas também não podemos deixar de perceber as sutis inscrições de um "female gaze", pois as mulheres utilizam de diferentes estratégias para "dizer", muitas vezes não tão explicitamente.

Vou assistir ao filme e em breve postarei um comentário.

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