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A informante (Whistleblower, 2010)

Denso. Dramático. Angustiante.

Larissa Kondracki e Eilia Kirwan
O filme dirigido por Larissa Kondracki e roteirizado por Eilis Kirwan e a própria Larissa Kondracki é imperdível, sobretudo para quem se interessa pelas questões de gênero e pela violência contra a mulher. Diferentemente dos filmes que comumente assistimos, em que as mulheres são violentadas pelos seus maridos, ou seja, tratados como um assunto privado, o filme de Kondracki destaca o lado público da questão, expondo a rede internacional de tráfico de mulheres, tendo como fundo o momento pós-guerra na Bósnia. A atriz Rachel Weisz vive uma policial, Kathy, que é enviada para a Bósnia para ser mediadora da paz, na condição de pacificadora das Nações Unidas (ONU). Porém, ao chegar à Bósnia vê o quanto as mulheres são maltradas por razões étnicas e de gênero, sendo violentadas abusivamente por homens de diferentes setores da sociedade: donos de bar, policiais e agentes internacionais, todos envolvidos no tráfico de mulheres.

As cenas são fortes e mostram as torturas vivenciadas pelas mulheres forçadas a realizarem as fantasias mais perversas dos homens. Uma delas Raya acaba conhecendo a policial Kathy que pretende defendê-la, mas não consegue diante da corrupção entre os seus colegas de corporação.

O filme expõe uma rede internacional bilionária que vive do tráfico humano e do sofrimento de várias mulheres, adolescentes e jovens que partem em busca de melhores condições de vida e se deparam com situações de extrema violência. Em uma das cenas, Raya é violentada por um cano de ferro, enquanto às outras são forçadas a assistirem a cena, como exemplo a não ser seguido.

Baseado em fatos reais, ficamos perplexos com o fato de pessoas subjugarem outras no limite da degradação humana, animalizando-as e transformando-as em escravas do prazer em uma sociedade decaída e devastada pela guerra. Reconstruir um país com os vícios daqueles que vão promover a paz parece irônico, soa zombeteiro, na medida em que um país fragilizado pela guerra acaba não recebendo ajuda, mas, ao contrário, sendo alvo de traficantes de toda ordem.

Fico imaginando a Grécia...

Mais uma vez as diretoras de cinema mostram um cinema engajado politicamente feminista.

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