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Oscar 2012 e outras coisas mais

O Oscar 2012 não traz diretoras concorrendo à estatueta. O que é lamentável. Os homens são absolutos nesta versão:


Michel Hazanavicius - "O artista"
Alexander Payne - "Os descendentes"
Martin Scorsese - "A invenção de Hugo Cabret"
Woody Allen - "Meia-noite em Paris"
Terrence Malick - "A árvore da vida"


No entanto, em outras categorias, como melhor roteiro, vemos a presença delas. Em Missão Madrinha de Casamento, Kristen Wiig e Annie Mumolo tentam levar o prêmio com uma história que tem sido o filão de muitas diretoras, o gênero comédia-romântica com peripécias matrimoniais. No entanto, como elas são estratégicas, e não poderia deixar de ser, conseguem passar por meio de assuntos corriqueiros e sem muita importância questões sérias, não vou tecer maiores reflexões. Terei de assistir antes.


O interessante em relação a tudo isso é que somente a função de diretor é marcada nominalmente, os outros componentes da ficha técnica ficam à sombra do filme. Qual o risco disso: dar importância aos outros profissionais? Torná-los conhecidos para o público? Fora o diretor, apenas o compositor da trilha sonora possui destaque nominal, mas isso tem raízes históricas.


Houve um tempo em que o compositor da trilha sonora tinha o mesmo status do diretor, inclusive em muitos filmes, os mais antigos, isso era identificado com um realce gráfico: o tipo e o tamanho da letra para ambos eram os mesmos. O nome vinha isolado na tela e centralizado. Além disso, quando os nomes do diretor e compositor apareciam, os acordes ficavam mais intensos, mostrando ao espectador que aquelas pessoas eram valiosas, mereciam atenção. Hoje em dia, o compositor perdeu o status e o diretor vem disputando com o produtor o lugar de realce, já que este aparece antes da narrativa iniciar, tendo uma vinheta especialmente feita para a sua aparição. Como se esquecer da vinheta da FOX com aquele número 20 dourado em contraplongé com as luzes dos holofotes cruzando o ar sobre o seu número?


Em termos de Brasil, a quantidade de filmes lançados ainda não tornou familiar as marcas das produtoras brasileiras, o que pode ser considerado um ponto positivo, embora algumas marcas já começem a se sobressair: a Quanta, a Raccord, Araçá Azul, Bossa Nova, Foccus, 02, Panda, REC. A logomarca é imprescindível para a sua fixação na memória do espactador. A Raccord, por exemplo, é uma das mais criativas, a meu ver: traz um terminologia do cinema, raccord, emoldurada por uma película de filme e a figura de um elefante. O site Cinema do Brasil, um programa feito para incrementar a política de exportação de filmes através de co-produções, possui em seu cadastro 117 produtoras de filmes, fora as outras que não são associadas ao programa.
Voltando ao Oscar, resta aguardar para ver se as mulheres que compõem outras funções menos visíveis, como figurino, no qual elas historicamente têm tido maior representatividade, serão as eleitas pela academia.


Parece-me que no quesito trilha sonora, na qual participam o brasileiro Carlinhos Brown e Sergio Mendes, este há muitos anos radicado nos Estados Unidos, o Brasil tem grandes chances com o filme Rio. Há duas concorrentes apenas e, embora não tenha escutado a música do outro filme, acredito e confio no trio de compositores, dos quais dois são brasileiros e uma é norte-americana.

Fonte: http://www.cinemadobrasil.org.br/produtoras_list.php

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