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Retrospectiva 2011

É de praxe no final do ano fazermos balanços e como não poderia deixar de ser, aqui estou para falar um pouco da minha relação com o cinema em 2011. As salas de projeção têm me afastado dos cinemas: crianças de colo aos choros, adolescentes com seus celulares ligados, atraso no início da sessão, pipoca caríssima, entre outras coisas. Tenho preferido aguardar os lançamentos em DVD que, por sinal, não demoram mais como antes.

Os filmes dirigidos por mulheres continuam sendo raros nas nossas salas de exibição, mas assisti a um que salvou a lavoura: O Amor não Tem Fim, da diretora Julie Gravas, já comentado neste blog. Além deste, pude ver e rever algumas pérolas, sendo que uma de um tempo distante e outra de um tempo mais recente: Doces Poderes (1997), de Lúcia Murat, e Desenrola (2010), de Roseane Svartman, respectivamente. Em uma zona mais intermediária, assisti Celeste e Estrela (2005) de Betse de Paula.

Tive o prazer em rever Yentl (1983), de Barbra Streisand, e ver finalmente Hotel Atlântico (2009) de Suzana Amaral; Amélia (2001), de Ana Carolina; Brava Gente Brasileira (2000) Lúcia Murat; Mar de Rosas (1991), de Ana Carolina e o francês A Culpa é do Fidel (2006), de Julie Gravas. Como podem ver, foram filmes de diferentes procedências e de anos distintos.

Espero que em 2012, entidades públicas e privadas invistam mais no cinema brasileiro e aumentem os finaciamentos para a produção de filmes  para que as mulheres possam inscrever mais realizações nas páginas da história do cinema brasileiro.

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