Pular para o conteúdo principal

O AMOR NÃO TEM FIM, JULIE GRAVAS

"Quando se tem um pai como o meu, e com o que herdei dele, percebi que quero fazer filmes sobre temas importantes, mas não do jeito que ele faz. Acho que usar o humor e a leveza foi o que encontrei como um jeito meu de falar sobre esses assuntos. Às vezes fazer alguém rir pode ser mais importante do que dar uma aula."
(Julie Gravas, em entrevista ao Último Segundo, em 26/10/2011)


Julie Gravas é uma diretora francesa que nasceu em um ambiente que respirava cinema. Filha do diretor grego Costa Gravas, Julie já dirigiu A Culpa é do Fidel (La Fault à Fidel, 2006), seu primeiro filme, que narra a história de uma menina que viveu as transformações sociais e políticas dos anos 70 dentro da própria família, quando um tio comunista é preso. 

Amor não tem Fim (Late Bloomers, 2011), filme protagonizado por Isabella Rosselini e William Hurt, narra a história de um casal que vivem a crise da terceira idade. A diretora trata de um tema que vem sendo  abordado no cinema pelas mulheres na direção - o envelhecimento - e salienta ainda que existe na França uma extrema valorização da juventude, mas podemos dizer que essa valorização é uma inscrição da cultura ocidental:


A estrutura da família no filme é como a minha. Temos esse pai, que é uma pessoa importante, colocada num pedestal, a mãe que cuida de tudo e os filhos que tentam lidar como podem com seus pais (...) Não é só sobre idade, mas também sobre estar em um casal por um tempo longo, ter que lidar com diferentes etapas, morar junto, ter filhos. Acho que cada casal tem seus passos. Esse, a idade, é só mais um.


Na entrevista, a diretora revela ainda o tema do seu próximo filme - a rivalidade entre franceses e ingleses - percebida quando foi filmar Amor não tem Fim na Inglaterra.  

O filme pode ser visto na Saladearte do Cinema do Museu - Sala 1, em única sessão às 18h40 e na Saladearte do Cine Vivo, sala cine Vivo 1 também em única sessão às 14h40.


Fontes:
http://ultimosegundo.ig.com.br/mostracinemasp/julie-gavras-faz-rir-para-falar-de-temas-importantes-leia-entrevista/n1597321167670.html
http://www.cineinsite.com.br/programacao/locais.php?id_filme=36570&id_cidade=1

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RECÉM-NASCIDOS NO CINEMA

Sinal dos tempos.
Recentemente fui assistir ao filme de animação Rio, no Shopping Salvador Norte, e me deparei com uma cena absurda: um bebê recém-nascido dentro da sala de exibição. Como se não bastasse o carrinho de pipoca e outras guloseimas dentro da sala e das bandejas repletas de frituras, exalando óleo requentado por todo o espaço, temos agora mais esta.
Durante a projeção do filme, o bebê chorava compulsivamente, forçando os espectadores a pedirem constantemente silêncio. Fico me perguntando o que leva os pais a cometerem tamanha tentantiva infanticida, submetendo o seu próprio filho a uma sala extremamente fria, ensurdecedora e repleta de ácaros e outros microorganismos prontos para atacarem o corpo frágil e indefeso do bebê. Imagino que os pais deveriam zelar pelo bem-estar dos seus filhos, serem responsáveis pela sua saúde e não o inverso. Fico me perguntando ainda o que levaria o empresariado a acobertar tal malefício, em nome de uns míseros “reais”.

Trata-se, a meu ver, de …

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NOS FILMES

Uma mulher casada ou solteira é submetida a maus tratos pelo marido ou amante. Esta ideia já serviu de roteiro para vários filmes e a postagem aqui seria longa se analisássemos cada um deles. Alguns destes filmes foram dirigidos por homens, outros por mulheres, mas o importante é que o tema tem sido bastante filmado ao longo dos séculos. O que isso significa?
No dia 08 de março, o mundo se volta às questões da violência contra a mulher, não que em outros dias esta situação não seja acompanhada com intervenção de entidades e de pessoas, mas neste dia formou-se uma rede de ações que dão visibilidade a um problema sério no tecido social. Um problema que adoece a sociedade, transformando os homens em criminosos e as mulheres em cadáver.
A sociedade tem sido a mortalha para muitas mulheres.
Os filmes que tratam da violência contra a mulher são em geral ambientados no espaço domiciliar, com maridos violentos que buscam a todo custo submeter às mulheres a maus tratos físicos e psicológicos. …

As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.
Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro. Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prome…