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Sua Mãe Sabe Mais ou o discurso da mãe


Você é tão frágil como as flores,
Ainda é uma mudinha e muito nova,
Sabe porque estamos nesta torre?
Isso aí, para manter você sã e salva,

Este dia chegaria eu já sabia
Ver que o ninho já não satisfaz,
Mais ainda não, confia coração
Sua mãe sabe mais!

Sua mãe sabe mais
Ouça o que eu digo
É um mundo assustador,
Sua mãe sabe mais
Cheio de perigos, acredite por favor

Homens do mal, galhos envenenados, canibais e cobras,
A praga sim, insetos enormes, dentes afiados
Pare eu imploro já estou assustada,

Mamãe está aqui, vem que eu te protejo
Deixe de sonhar demais,
Colha o trama vem com a mama
Sua mãe sabe mais!

Vá seja pisada por um rinoceronte
Seja assaltada e largada para morrer,
Só sou sua mãe não sei de nada
Eu só te dei banho, troquei, dei carinho

Vamos me abandone eu mereço,
Deixe que eu morra aqui em paz
Antes do fim você vai ver, vai sim!
Sua mãe sabe mais!

Sua mãe sabe mais
Você por sua conta, não vai saber se virar
Toda desleixada, imatura tonta, eles vão te devorar
Crédula, ingênua, levemente suja, boba e um tanto honrada

E ainda por cima olha que gorducha
Eu só digo por que te amo,
Sua mãe entende, quer te dá ajuda
E só um pedido faz!

Não se esqueça, e obedeça
Sua mãe sabe mais.

Fonte: http://letras.terra.com.br/disney/1844932/

Reflexão:


A letra acima faz parte de uma das músicas da trilha sonora do filme de animação "Enrolados", adaptação do conto de fada Rapunzel, produzido pela Disney em 2011. Se não atentássemos para o contexto, para o lugar de fala, poderíamos arriscar em dizer que a letra desconstruiria uma das representações mais históricas e difíceis de fissurar: a da mãe. A letra mostra as manipulações feitas pela mãe a fim de manter a filha sob a sua dependência e para isso lança mão de subterfúgios como a chantagem emocional, a humilhação, o medo, mas que não podem ser percebidos pelo fato de serem pronunciados pela mãe, atrelado ao discurso afetuoso, criando uma situação paradoxal, mas perfetitamente compreenssível, dentro da estratégia ideológica de escamotear as intenções reais do enunicador, neste caso a mãe.

No entanto, o sistema não deixaria passar tamanha irreverência, tamanho desmonte, e logo nos faz lembrar que essa mãe na verdade é uma "falsa mãe", a madrasta que sequestrou Rapunzel quando ainda era bebê. Sendo assim, a música parece caber direitinho na figura da vilã, já que dificilmente ela poderia ser aceita como enunciado da mãe, embora todas elas lancem mão desses argumentos persuasivos...eventualmente. O filme traz, mais uma vez, uma visão maniqueísta da heroína e vilã separando as ações nobres das mesquinhas em duas pessoas distintas, como se fosse possível que uma pessoa fosse totalmente nobre ou totalmente avarenta. Reforça-se deste modo estereótipos seculares

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