Pular para o conteúdo principal

Catherine Hardwicke

Segundo a Folha Online, em 08/12/2008, "no fim de semana de estréia nos EUA, a produção [do filme Crepúsculo] rendeu US$ 69,6 milhões (R$ 172 milhões) nas salas de cinema. Foi a maior bilheteria de estréia para uma diretora nos EUA (grifos meus). O investimento em torno da publicidade do filme foi muito grande, mas não podemos deixar de registrar que a adaptação foi fidedigna ao romance homônimo de Stephanie Meyers (Twilight) e que o filme conseguiu alcançar o seu propósito usando os recursos que o cinema disponibiliza. Destacar a atuação de cineastas mulheres a meu ver é extremamente importante, considerando que o espaço da direção vem se organizando através de um "male gaze", e que muitas vezes as mulheres se apropriam de um código já estabelecido para entrar na disputada carreira cinematográfica.

No entanto, acredito que chegar a esta competitiva indústria cinematográfica hollywoodiana não deva ser uma tarefa fácil, por isso penso que vale a pena acompanhar os trabalhos das diretoras, pois é um território ainda pouco ocupado por mulheres. Às vezes pode soar exagerado, mas conhecendo a história do cinema (o que venho fazendo aos poucos) fica visível que a profissão de cineasta, assim como outras profissões, tiveram início com os homens, já que os espaços público e privado foram sexualmente divididos desde a ascensão da burguesia, excluindo as mulheres de atividades que não fossem voltadas para o âmbito doméstico.

Estou falando de uma classe média, a mesma que, ao assistir o filme Crepúsculo, correu para as livrarias para adquirir um exemplar, alguns compraram o box com os quatro livros. A classe popular tem mais dificuldade, mas pode ler rapidinho nas livrarias. Vi uma menina vestida com farda escolar que lia concentradamente um exemplar do romance A Hospedeira, de Stephanie Meyer, a mesma autora de Crepúsculo. Este livro já custou R$40,00, mas hoje na promoção sai por R$36,00. Para uma grande parte da população, é um produto caro. Restam o cinema ou o DVD.

Para aqueles e aquelas que questionam o problema de adaptação do romance para o filme, sentindo falta de algumas partes, lembro-lhes que a linguagem literária é diferente da linguagem cinematográfica e que transformar um texto literário em roteiro para em seguida dar movimento audiovisual não é uma atividade tão fácil, não pela parte técnica, mas porque a adaptação depende muito do olhar de quem lê e de quem interpreta e seleciona as partes do livro como sendo passagens importantes para serem filmadas. O leitor pode considerar uma outra passagem, mas a escolha é criteriosa, pois deve-se escolher, penso eu, trechos que crie uma "costura", encadeie a narrativa fílmica e faça sentido no filme, dentro da linguagem cinematográfica, sem distorcer o propósito do livro. Assim, podemos subjetivamente ter gostado mais de uma passagem do que de outra, mas o que importa mesmo é, enquanto cena, que impacto ou efeito terá no conjunto da narrativa fílmica.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RECÉM-NASCIDOS NO CINEMA

Sinal dos tempos.
Recentemente fui assistir ao filme de animação Rio, no Shopping Salvador Norte, e me deparei com uma cena absurda: um bebê recém-nascido dentro da sala de exibição. Como se não bastasse o carrinho de pipoca e outras guloseimas dentro da sala e das bandejas repletas de frituras, exalando óleo requentado por todo o espaço, temos agora mais esta.
Durante a projeção do filme, o bebê chorava compulsivamente, forçando os espectadores a pedirem constantemente silêncio. Fico me perguntando o que leva os pais a cometerem tamanha tentantiva infanticida, submetendo o seu próprio filho a uma sala extremamente fria, ensurdecedora e repleta de ácaros e outros microorganismos prontos para atacarem o corpo frágil e indefeso do bebê. Imagino que os pais deveriam zelar pelo bem-estar dos seus filhos, serem responsáveis pela sua saúde e não o inverso. Fico me perguntando ainda o que levaria o empresariado a acobertar tal malefício, em nome de uns míseros “reais”.

Trata-se, a meu ver, de …

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NOS FILMES

Uma mulher casada ou solteira é submetida a maus tratos pelo marido ou amante. Esta ideia já serviu de roteiro para vários filmes e a postagem aqui seria longa se analisássemos cada um deles. Alguns destes filmes foram dirigidos por homens, outros por mulheres, mas o importante é que o tema tem sido bastante filmado ao longo dos séculos. O que isso significa?
No dia 08 de março, o mundo se volta às questões da violência contra a mulher, não que em outros dias esta situação não seja acompanhada com intervenção de entidades e de pessoas, mas neste dia formou-se uma rede de ações que dão visibilidade a um problema sério no tecido social. Um problema que adoece a sociedade, transformando os homens em criminosos e as mulheres em cadáver.
A sociedade tem sido a mortalha para muitas mulheres.
Os filmes que tratam da violência contra a mulher são em geral ambientados no espaço domiciliar, com maridos violentos que buscam a todo custo submeter às mulheres a maus tratos físicos e psicológicos. …

As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.
Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro. Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prome…