sexta-feira, 24 de outubro de 2025

FILMES DE TEMÁTICA NATALINA

Enfim, de volta! Depois de anos de ausência, agora já aposentada, resolvi retomar a escrita e os blogs. Hábito do ofício.

Ultimamente tenho assistido a filmes de temática natalina, com suas decorações coloridas e luminosas, canções de Natal, seus biscoitos de gengibre, enfim, com os ritos e rituais que evocam o sentido do Natal,  de renascimento e, também, de redenção. Geralmente a trama é simples em torno de uma mulher bem-sucedida que recebe a missão de ir a uma pequena cidade para realizar um projeto de trabalho, mas que acaba vivendo uma experiência natalina, familiar, amorosa, já esquecida e meio sem sentido na metrópole onde o ritmo frenético, o consumismo, o ambiente corporativo indiferente e competitivo não colaboram com a generosidade, a caridade e a solidariedade.

A estruração narrativa

Do ponto de vista da estruturação narrativa, salvo raras exceções, a trama se organiza em torno do modelo da jornada do heroi(Campbell; Vloger), só que de um ponto de partida diferente das narrativas históricas, a exemplo de Ulisses que parte de sua casa para uma aventura, retornando ao lar para os braços de Penélope. Os filmes natalinos, produzidos nos EUA, apresentam no papel principal uma mulher exitosa, solteira, sem filhos, com aproximadamente 30 anos. Ela vive quase que exclusivamente para o trabalho. Essa extrema dedicação aos projetos na esfera laboral acaba afastando a protagonista da família, dos amigos de infância e juventude, e como o Natal é um evento familiar, resulta ser um momento angustiante para a personagem, já que ela precisa lidar com a pressão de cumprir as demandas no trabalho, que se intensificam nesta época, e atender aos apelos familiares. A família, diga-se de passagem, não vive na cidade onde a protagonista trabalha, mas em pequenas cidades, vilas montanhosas, para configurar narrativamente a ideia de regresso, tal como o heroi no modelo narrativo denominado por Campbell como a jornada do herói. Nem sempre esse deslocamento é para um lugar de nascimento, mas haverá sempre um movimento para um lugar oposto à cidade, como uma cabana nas montanhas. Os pinheiros em seu habitat natural combina com as festas de final de ano sobretudo se tem neve,  elemento de composição cenográfica importante. Não nos espanta que a protagonista se perca no caminho (destino) ou tenha o carro sem funcionar no meio da estrada. Este percalço é um ponto importante da narrativa porque destaca o inesperado, o acontecimento que levará a protagonista ao encontro de sua alma gêmea. Q

A protagonista e o espaço/ambiente

O cinema, assim como a literatura, opera com elementos narrativos,  destaco  a personagem e o espaço/ambiente. De modo bem sucinto, o personagem é aquele que prática a ação, possui características psicológicas e comportamentais. O espaço/ambiente é o lugar da ação e apresenta o contexto e as circunstâncias da ação. Um lugar pode emanar alegria, tristeza, tensão, terror, violência, depende do efeito que se queira passar.

As protagonistas dos filmes natalinos trabalham, geralmente, em uma empresa sólida e ocupa um cargo importante, de grande responsabilidade. Digo geralmente porque em algumas narrativas elas são donas de pequeno comércio. É uma mulher que se dedica 100% ao trabalho, é responsável por projetos grandiosos, confiança conquistada com muito esforço. Estão sempre com pressa, entre uma sala e outra, recebendo e passando instruções andando pelos corredores e com um café na m4ao. Quando não são chefes, precisam lidar com aqueles muito exigentes, não raras vezes desumanos e exploradores. A protagonista não tem vida pessoal, quase não sai, e quando tem um namorado ou noivo, é quase sempre uma relação do tipo "formamos uma boa equipe". 

É neste lugar e ambiente que a história começa. É o ponto de partida da narrativa, muito embora, durante as rememorações da protagonista, o espectador fique sabendo que ela partiu de sua cidade, ainda muito jovem, para realizar o sonho profissional e, como consequência, tornar-se uma pessoa exitosa. Porém, do ponto de vista da estrutura narrativa, é neste momento que ocorre uma situação interessante, levando-se em consideração a obra citada de Campbell/Vloger. Se neste esquema o ponto de partida é, geralmente, a casa onde o heroi passou a infância e a adolescência ou, ainda, onde ele construiu uma família depois de adulto, nos filmes natalinos o lugar comum será o local de trabalho, ou seja, da recompensa. A casa é um espaço-clichê para o ponto de partida porque a saída do homem para o mundo do trabalho dá-se a partir da casa familiar, depois que ele passa pela fase escolar. Nos filmes de Natal, a empresa é o lugar de partida, é onde a personagem é apresentada para o espectador, no seu cotidiano profissional, imersa em seu desafiante e extenuante trabalho. A volta para casa com o elixir ou seja a aprendizagem, fruto da sua aventura humana, não será fácil, uma vez que esse retorno está repleto de memórias afetivas, mas, também, de traumas que precisam ser confrontados e resolvidos. Para isso, a protagonista precisa se reconectar às pessoas que a conhecem profundamente,  com a natureza, com hábitos simples olvidados na grande cidade. 

Tudo parece em equilíbrio (mesmo diante do caos comezinho de uma cidade), porém, como sabemos, para que um filme desenrole e cumpra a sua função catártica, é necessário que algo ocorra com a protagonista neste momento de estabilidade. Se na jornada do herói, o personagem sai de sua casa para conquistar a independência e retornar anos depois exitoso para o orgulho dos pais ou de quem testemunhou o seu crescimento, as narrativas natalinas partem do lugar da realização pessoal para problematizar este momento na vida das personagens. 

Em quase todos os filmes, a personagem recebe de seu chefe uma tarefa que a faz viajar para uma cidade pequena ou até mesmo a sua cidade de origem. E o que acontece nessa cidade? Ela se apaixona, passa a apreciar os pequenos rituais familiares e da comunidade, envolvendo-se nas duas esferas. Ao fim, experimenta o dilema entre voltar para a cidade, para o exitoso mundo do trabalho, pelo qual lutou a vida toda (mas não é totalmente feliz e aqui há uma dissociação entre realização e felicidade) ou ficar na pequena cidade e ser feliz formando uma família. 

O conflito se instaura: voltar ao mundo dos negócios ou formar uma família com o homem dos sonhos? Ao colocar uma mulher como protagonista, numa faixa etária importante para a formação familiar, e me refiro a ter filhos, os filmes mostram uma perspectiva mais dramática. Observe que os homens, em sua maioria, são viúvos ou divorciados, possuem filhos, e necessitam da figura feminina em suas vidas para que ele e seus filhos possam ser felizes porque também estão incopmpletos. Esse dado é importante para que suscite na personagem protagonista o desejo de ser mãe, esquecido entre tantos projetos e desafios do trabalho. É exercendo o papel de madrasta que a protagonista vai sendo inserida como mãe e como esposa e, por fim, no agrupamento famíliar. As cenas de vários núcleos famíliares em torno da árvore de Natal ou realizando atividades tradicionais típicas dessa época, como decorar o jardim com boneco de neve, fazer biscoitos de gengibre, meias decorativas, ser voluntário em alguma entidade comuniária, são emblemáticas, já que se repetem em todos os filmes natalinos. O milagre natalino proporciona à personagem o reencontro com a família ascendente e a oportunidade de formar a sua própria.

A protagonista retornou com o elixir. Aprendeu. Está realizada profissionalmente, mas algo lhe falta, diz o texto.

Deixo aqui claro que existem nuances nestes filmes que sugerem não necessariamente o abandono da vida profissional pela matrimonial. Há situações em que os filmes deixam transparecer um equilíbrio entre o trabalho e a casa. A personagem continua o seu trabalho na pequena cidade, com menor volume de demandas, conciliando os afazeres do trabalho aos da casa. 

Nas próximas postagens, vou apresentar alguns desses filmes e comentá-los. Por ora, apresento o cartaz de um deles.

Você conhece algum desses filmes? 


Cartaz de filme

Foto divulgação para a Universal Pictures




I
Imagem extraída do blog: um diário de escrita




FILMES DE TEMÁTICA NATALINA © 2025 by Lucia Tavares Leiro is licensed under CC BY-NC-SA 4.0

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A ética e o mérito nas produções acadêmicas



Em meio a tantas coisas que nos deixam tristes em nosso cotidiano, eis que nos deparamos com uma postura que muito nos faz acreditar em uma possível civilidade.


Há uns dias, coloquei o meu nome completo no Google e me deparei com um livro sobre cinema que está parcialmente disponível na internet. Chama-se A FAMÍLIA VAI AO CINEMA, dos organizadores Inês Assunção de Castro Teixeira e José de Sousa Miguel Lopes. Na referência, havia uma citação a uma postagem feita neste blog.


Obviamente que encomendei o livro para ler o artigo e ver como se dava a minha participação. Pude verificar que a minha contribuição tinha sido a postagem sobre o filme de Julie Costa-Grava, O AMOR NÃO TEM FIM, postado em 11 de novembro de 2011.


Este gesto me fez pensar em várias coisas. Primeiro no alcance dos blogs, como ferramenta de circulação de ideias, e especificamente este blog. Segundo na ética, já que nem sempre as pessoas dão os créditos aos textos que leem na internet.

A ética talvez seja o ponto principal desta postagem. Muitas pessoas desistem de continuar a escrever em blogs porque os textos escritos não são creditados quando referenciados, gerando a simples apropriação, plágio, que em nada contribui para que este universo colaborativo se mantenha como potencial dialógico e interativo.

Optei por este espaço porque era uma forma de tornar o conhecimento acessível, sem as mediações que encarecem a pesquisa, mas que tem uma fragilidade em sociedades que não sustentam em suas ações a ética e a honestidade.

Fiquei muito feliz com este fato e me reanimou a voltar a escrever nos blogs. Obrigada a Inês e José Miguel por esta aula de ética e de generosidade intelectual. Vou ler agora o artigo.



Licença Creative Commons
O trabalho A ÉTICA E O MÉRITO NAS PRODUÇÕES ACADÊMICAS de Lúcia Tavares Leiro está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Jonas: O Circo e o Cinema

Fui assistir recentemente ao filme Jonas e o Circo sem Lona, um longa-metragem da cineasta baiana Paula Gomes. É um filme muito que narra a história de Jonas, um menino de 13 anos que sonha em ser artista de circo. Ele, assim como a sua mãe e avó, atuava no circo do tio dele. A ideia de ter seu próprio circo fez com que Jonas se juntasse aos amigos e, no quintal de sua casa, começasse a ensaiar e se apresentar para as crianças do bairro. É um filme que nos faz pensar nos sonhos que alentamos quando crianças e que as dificuldades da vida muitas vezes quando não impedem a sua realização torna o caminho mais doloroso.

O filme traz uma série de provocações no plano da linguagem cinematográfica. Ele rompe com a quarta parede, fazendo com que os atores lancem o olhar diretamente para a plateia, envolvendo-a e chamando-a para um compromisso, uma reflexão e uma transformação. É um filme que nos emociona em razão do uso desses recursos cinematográficos.

Por ser um documentário, o filme usa diálogos mais próximo à conversa espontânea, com pouca intervenção guiada. O enquadramento em planos fechados e em detalhes acentuam a dramaticidade e, embora as cenas sejam "costuradas" para dar sentido, elas não obedecem a uma regra de passagem de plano, como ocorre com as narrativas com as quais estamos acostumados a ver. É uma composição de quadros sugestiva, que se aproxima da técnica da colagem, mas que não causa estranhamento porque faz sentido no contexto apresentado. Os planos fechados, quando demorados, produzem angústia, uma sensação de beco sem saída, certa impotência diante das dificuldades que o menino passa. 

O sentimento de impotência do personagem atravessa o écran e atinge o espectador que sai da sala de exibição em suspense, atordoado, em um silêncio constrangedor, com a história de Jonas (ou seria com a sua própria história?), pois a história de Jonas é a história de muitos ou pelo menos de uma boa parte das crianças nascidas em bairros da periferia e que tiveram seus sonhos perdidos. O filme deixa em aberto o final e nos provoca: Jonas terá o mesmo fim? Até quando a escola e os gestores públicos vão continuar massacrando as artes e os sonhos? A voz do rádio noticiando atos de violência urbana, drogas, apontam para uma saída: a educação criativa, voltada para a realidade, e o apoio às artes por meio de políticas públicas e privadas. Até quando vamos sabotar os sonhos de crianças e adolescentes? Até quando iremos produzir adultos infelizes e frustrados?
 
O filme é um convite ao sonho, à esperança e à solidariedade que nunca devem deixar de existir entre nós.  

Exibição no Cine Paseo e no Cine do Museu.


Licença Creative Commons
O trabalho Jonas: O Circo e o Cinema de Lúcia Tavares Leiro está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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terça-feira, 23 de setembro de 2014

VALENTE E O DESTINO DE UMA MULHER

É impossível não gostar de Merida, uma jovem escocesa ruiva que muito cedo aprendeu a gostar de viver sem as regras de bom comportamento feitas para as mulheres. Ela encontrava mais prazer em atirar flechas, montar cavalo, enfim viver uma vida fora das tarefas domésticas. O seu pai a estimulava a ser livre, contrariando a mãe que a queria casada. Merida não pensa em se casar, e o filme também não aponta para o que ela poderia ser, na verdade compete a ela traçar um outro caminho que ela não sabe ainda qual será, mas está convicta que não será o mesmo trilhado pelas mulheres que a antecederam.

A mãe de Merida não consegue entender isso e exige da jovem que se case. O conflito chega a uma situação limite que a jovem parte em busca de um feitiço que faça a sua mãe mudar de ideia. O feitiço acaba transformando a mãe em um urso, o maior inimigo dos clãs da região.

O processo que é mostrado para o espectador é uma árdua aprendizagem entre mãe e filha e ambas passam a se conhecer fora dos muros da casa, na floresta, símbolo do perigo e também da liberdade. A casa representa a cultura, onde as tensões de gênero são profundas. A floresta une as duas e nela a mãe aprende a ser menos exigente e rigorosa com a filha e consigo mesma e a filha aprende a compreender a mãe. Há uma cena muito interessante que Merida pede que a mãe experimente comer peixe cru e a mãe (no corpo de um urso) faz uma cara de nojo. Nesse momento, Merida se lembra das palavras da mãe quando ela não queria comer algo forçado e lhe retorna com as mesmas palavras. Colocar-se no lugar do outro, estimula a empatia entre as duas, e fazem com que se conheçam mais.

O feitiço só poderia se quebrar se a tapeçaria que trazia a imagem da família, que fora rasgada em um momento de fúria de Merida, fosse novamente unida, isto é, costurada.

No final, Merida realiza o contrafeitiço e a família se une novamente. A mãe menos vigilante quanto às regras, inclusive isso é mostrado através das vestes mais simples e penteado mais solto (ela usava um coque, mas depois prefere deixar os cabelos soltos) e até mais jovem. Mãe e filha passam a ser mais amigas, mais cúmplices.

É um filme que certamente marcará a história da animação, por ser muito mais que uma história bem feita, com recursos visuais impecáveis, mas por trazer um protagonismo de mulheres com uma dimensão política de gênero muito visível. Elas possuem uma força extraordinária: resolvem o futuro dos clãs, administram a casa, são mais eloquentes, inteligentes, hábeis e sensíveis.

Valente é a história de Merida, e também a história sobre o exercício da maternidade.

O LEGADO DE NORA EPHRON

'You look at a list of directors and it's all boys"*  
(Nora Ephron)

*Você olha para a lista de diretores e são todos homens.

Nora Ephron sabia que a indústria cinematográfica era machista, e nos EUA não seria diferente. Antes de ser diretora, Ephron roteirizou filmes dramáticos, como Silkwood: O Retrato de uma Coragem, de 1983. Os anos 80 serão profícuos para as mulheres que viveram a maturidade nestes anos, pois a visão que elas têm naquele momento são reverberações dos movimentos sociais, sobretudo feminista, dos anos 60/70. Assim, neste clima de contestação, essa novaiorquina escreveu a história de uma mulher, vivida pela atriz Meryl Streep, (com quem se encontraria novamente em Julia e Julie, em 2009), uma mulher, funcionária de uma fábrica de componentes nucleares em uma pequena cidade do interior dos EUA. Ela passa a ser representante sindical e luta por melhores condições de saúde e de trabalho para os funcionários da fábrica. Durante todo os anos 80, Norah Ephron se dedica ao escrever e produzir filmes, dentre eles o popular Harry e Sally (1989), uma comédia romântica dirigida por Bob Reiner.

Neste filme, Sally (Meg Ryan) é uma jovem recém-formada que pega uma carona do seu colega de universidade Harry (Billy Cristal), namorado da amiga de Sally. Antes de entrar no carro, Sally se despede de seu então namorado. Harry e Sally ao chegarem em Nova Iorque se separam e quando se reecontram ambos estão sozinhos. Ela já está com  aproximadamente trinta anos e começa a sentir a angústia do tempo, por isso, por pressão das amigas, decide sair com homens em busca de um relacionamento estável.

Sally traz o mal-estar das mulheres que nasceram pós revolução feminista, que são independentes, mas querem ao mesmo tempo viver um relacionamento amoroso e estável. Deste modo, podemos dizer que ela é produto das contradições de seu tempo, pois mesmo sendo instruída e emancipada financeiramente, não conseguiu se desvencilhar das armadilhas emocionais que a condicionavam a depender afetivamente do homem. Isso porque os homens não aceitaram (e ainda não aceitam) que as mulheres sejam independentes financeiramente e emocionalmente deles.

Este filme sofreu duras críticas das feministas e confesso que na época senti o mesmo. Era angustiante, violento ver mulheres maduras sentadas em um bar com um fichário de nomes, em busca dos homens disponíveis na cidade para que pudessem se casar. À medida que iam descartando os candidatos, o desespero e a decepção cresciam.

Contudo, ao mesmo tempo que a cena era penosa para as mulheres maduras que estavam sentadas à mesa de um bar e que desejavam se casar em razão do relógio biológico apontar para o pouco tempo que restava para procriação, a cena traz essa contradição e diria denúncia. Como explicar que mulheres emancipadas profissionalmente estivessem discutindo em uma mesa de bar questões que as prendiam a uma ideologia? Essas mulheres herdaram a abertura obtida por meio de lutas e enfrentamentos das suas predecessoras que viram na instrução e na profissão uma forma de alçar vôos até então negados pela sua condição feminina. As mulheres dos anos 80/90 herdam a liberdade de suas antecessoras, mas não conseguem resolver o impasse de gênero, já que os homens pareciam não acompanhar a nova mulher que se apresentava diante dele. Assim, muitas entraram em conflito porque o seu empoderamento  afastava os homens, assustados com tanta liberdade e vontade, gerando problemas no plano afetivo, já que não correspondidos.

Seis anos depois de Silkwood, Nora Ephron muda a direção para as comédias-românticas que muito raramente abandonará.

Aos 71 anos, Ephron começou a falar de relacionamentos, a flertar com o cinema norte-americano, ao fazer clara referência, por exemplo, ao filme Tarde Demais Para Esquecer, quando Gary Grant e Deborah Kerr marcam um encontro no alto do Empire State, mas ela não vai porque  sofre um acidente. No filme de Ephron, Sintonia de Amor, novamente com Meg Ryan (Annie), a diretora muda o final, invertendo a situação: é a mulher que espera o homem, Sam (Tom Hanks) e o seu filho que se atrasam.

Ephron falava de um poder das mulheres, mas de uma forma muito velada e menos combativa, que incluía uma convivência com o homem. Ela não acreditava em um jogo de inversões no qual o poder das mulheres dependesse da subalternidade masculina.  Nora mostra que o poder da mulher não precisa ser o mesmo estabelecido pelos homens há séculos, é uma tentativa de ser feminista dentro de uma estrutura feita para controlar a mulher: o casamento e a família, por isso, talvez as contradições sejam tão evidentes.



Três filmes, Três diretoras

Nesta semana, três filmes dirigidos por mulheres estão em cartaz:

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée), 2012,  drama francês de Valérie Donzelli.


Como Agarrar Meu Ex-namorado (One for the Money), 2012, comédia norte-americana de Julie Anne Robinson.


Hotxuá (Hotxuá), 2012, um documentário brasileiro de Letícia Sabatella.

O documentário tem atraído as mulheres do cinema brasileiro, mas o acesso ao produto do ponto de vista comercial é dificultoso. Os dvds custam duas ou três vezes mais do que a ficção. Os filmes considerados de arte também são mais caros do que os comerciais, o que favorece a formação de espectadores para uma estética própria desses filmes, mais próximos da linguagem televisiva. Isso sem contar com as cópias mal feitas, que travam no meio do filme, muitos com problema de série. A mídia para blu-ray só não elimina o DVD porque ainda é cara, mas em compensação, o fato é que depois do blu-ray, os DVDs nunca mais foram os mesmos.

São três filmes diferentes, pertencentes a gêneros distintos: drama, comédia-romântica e drama-documental, respectivamente. O primeiro é uma retextualização de Romeu e Julieta, sendo que a ficção passa a interferir na vida do casal protagonista, uma vez que ambos acreditam que alguma coisa de trágico acontecerá em razão dos seus nomes fazerem referência a clássica tragédia teatral.

O segundo trata de uma peripécia já vivida no cinema de uma outra perspectiva. Jennifer Aniston e Gerard Butler protagonizaram um filme semelhante no qual Butler, vive um policial, contratado para ser um caçador de recompensas de sua ex-esposa (Aniston), uma jornalista perseguida por outras pessoas também (por sinal não vi o filme apesar de a roteirista ser uma mulher, Sarah Thorp). O filme da diretora Robinson é muito semelhante ao de Andy Tannant, mas esse lugar-comum pode ser um exercício interessante do ponto de vista da análise de gênero, pois neste a protagonista, Stephanie (Katherine Heigl), é uma recém-demitida e divorciada que por intermédio de seu primo Vinnie (Patrick Fischler) passa a trabalhar como caçadora de recompensas. A sua primeira tarefa é capturar o policial aposentado Joe (Jason O'Mara), um ex-namorado do colégio que a seduziu. Vejam que nos dois filmes os policiais estão presentes. Tal como o filme de Tennant, este também é roteirizado por mulheres, são elas: Karen McCullah Lutz, Kirsten Smith, Liz Brixius que se basearam no livro de Janet Evanovich, uma autora conhecida por seus best sellers "chick lit" ou literatura cor-de-rosa.
 
O terceiro filme é uma tendência no cinema brasileiro, sobretudo quando feito por mulheres. O documentário se aproxima muito do cinebiografia porque não deixa de se basear na vida de um ser social. Foi assim com Valdick Soriano, dirigido por Patrícia Pillar. Hotxuá é baseado na festa da batata, um ritual realizado pela etnia indígena Krahô, que vive em Palmas (TO), que delimita a passagem da estação da chuva para a seca.

A filmagem documental etnográfica tem sido muito importante para a preservação da memória do Brasil e as diretoras estão sensíveis a essas questões identitárias, dando um caráter político e artístico ao cinema.

CINECLUBE DA UNEB - CINEMA E MULHER

A abertura do cineclube da UNEB, do setorial Cinema e Mulher, não trará uma diretora, mas um diretor. Trata-se do filme documentário ATABAQUES NZINGA, de Octávio Bezerra, filme de 2007.

A ficha técnica é formada por:

Título Original: Nzinga.
Origem:
Brasil, 2007.
Direção:
Octávio Bezerra.
Roteiro:
Rose La Creta.
Produção:
Ana Giannasi e Rose La Creta.
Fotografia:
Hélio Silva e Guerrinha.

Edição:
Sueli Nascimento.
Música:
Naná Vasconcelos.
 
Por esta relação, vemos que o filme foi roteirizado por uma mulher, Rose de La Creta, e produzido por duas, Ana Giannasi e a própria Rose de La Creta. Além de contar com a edição de outra mulher, Suely Nascimento. A ficha apresenta um equilíbrio de gênero ao trazer a mesma quantidade de mulheres e homens em sua produção.
 
Mas a minha escolha para esta primeira exibição deu-se por ser um dos poucos filmes nacionais e comerciais cujo tema trata da identidade da protagonista, mas uma identidade alicerçada na ancestralidade, isto é, na busca de uma jovem negra por sua origem, sua história. O início do filme se passa na Bahia, dentro de um terreiro de candomblé, durante o recolhimento. Portanto, nesta primeira parte, o filme se passa durante o roncó se estendendo até  a saída, quando a protagonista se torna-se filha de Oyá e herdeira da guerreira Nzinga.
 
Neste processo de autodescoberta, feita através do jogo de búzios, a protagonista revela uma angústia existencial, pois  sua dupla orfandade - já que não conheceu seu pai e a sua mãe a abandonou - a deixa triste e deprimida (alusão clara ao banzo, sentimento de saudade da África e de tristeza que os escravizados sentiam, levando muitos a cometerem o suicídio). Esta orfandade também sugere uma conotação mais ampla, uma metáfora para os sujeitos diaspóricos, que tiveram e têm dificuldades em traçar a sua árvore genealógica por causa da separação forçada imposta pelo colonizador sobre os escravizados, entre sujeitos da mesma nação e também graus de parentesco, estratégia de controle contra possíveis rebeliões.
 
É muito significativo como o candomblé aparece  no filme como ventre gerador de identidades, de resistência contra o esquecimento, contra o apagamento da memória que liga os sujeitos diaspóricos à origem africana. É o espaço de força vital, de ligação ancestral com uma função não apenas espiritual, mas de civilização.
 
A personagem, depois de sua saída do recolhimento, segue para o Rio de Janeiro, orientada por sua Yá a se mudar para se desenvolver mais (aqui o olhar do sudeste sobre o nordeste). É importante ressaltar que o atabaque está presente na vida de Nzinga, que sonha com eles e com seus ancestrais. O atabaque aparece no filme como metáfora do ancestral, chamando a personagem para assumir o seu papel de sujeito da história, que é a história dela, mas também de uma coletividade. Ou seja: o candomblé religa este sujeito perdido a um grupo, e este sujeito que deverá reinscrever a história, se apropriando de sua dor e enfrentando os desafios desta nova escrita. Este sujeito é uma mulher. Esta é Nzinga.
 
Você está em Salvador? Venha assistir a este filme!

Dia: 24 de outubro
Horário: 12h,
Local: Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, Auditório Jurandyr Oliveira.

Depois da exibição, ficaremos para conversar um pouco.

 
 
 
Fotos divulgação.

domingo, 28 de abril de 2013

As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.

Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro.
 
Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prometido ao irmão de Lady Marion, morto em batalha, que a protegeria. Lady Marion é forçada a se casar com o xerife de Nothigham (Alan Rickman) que trava uma luta mortal com Robin Hood no dia do casamento, logo após a benção do bispo. Uma luta que Lady Marion só assiste.
 
Já a versão de Ridley Scott, 2010, Robin Hood (Robin Hood) traz como Lady Marion  a atriz britânica Cate Blanchett. A personagem vive com o sogro e espera o retorno do seu marido, um nobre cavaleiro da guarda de Ricardo Coração de Leão, que ao morrer pede que Robin Logstride, um arqueiro, retorne para informar ao pai sobre sua morte. Durante a ausência do marido, Lady Marion protege a aldeia de roubos e tenta se livrar do assédio do cobrador de impostos. A atração entre Robin e Lady Marion é gradativamente apresentada em sequências que mostram ora uma simetria de gênero ora as assimetrias, a exemplo da cena em que ela tenta salvar um filhote de animal de um afogamento. Robin prevê a frustração da iniciativa e resgata o filhote, dando a entender que as mulheres seriam mais emotivas e, por isso, mais impulsivas e  fadadas a gestos sem sucesso. Apesar disso, no final, durante a batalha decisiva que se dá na praia, Lady Marion usa armadura e alinha-se aos cavaleiros para atacar o inimigo. Como não cabe à heroína matar o antagonista, ao travar uma luta contra o malfeitor, desequilibra-se do cavalo e quase é afogada pelo oponente. Quando Robin percebe a investida contra a amada, resgata -a e de quebra mata o inimigo. Esta cena é muito parecida com a do filhote que está se afogando até ser resgatado por Robin Hood. Neste sentido, a assimetria de gênero é reforçada para destacar o papel de gênero atribuído ao homem em duas dimensões sociais (micro e macro): salvar a mulher e libertar o país do inimigo.
 
Se compararmos os dois filmes, vemos que a versão de 2010 está mais próxima de uma representação feminina mais ativa, companheira e lutadora. As relações de gênero se apresentam mais simétrica do que na versão anterior. Mesmo em casa, a presença de Lady Marion é decisiva para a sobrevivência da aldeia já que ela ara a terra, planta, colhe e estoca o alimento enquanto os maridos estão fora em batalha. Na cena em que está prestes a ser estuprada, se defende e consegue livrar-se do inimigo, golpeando-o e matando-o, sugerindo que nem sempre uma mulher terá um homem ao seu lado para livrá-la dos incômodos e que terá de encontrar sozinha meios para sair de situações embaraçosas e, no extremo, violentas. 

Ambas as narrativas não escapam do peso da tradição e ao olhar masculino por detrás das câmeras. Afinal, o filme é sobre Robin Hood e não Lady Marion, mesmo com alguns momentos de equiparação de gênero ao longo do texto.

Como seria um filme do ponto de vista dela?
 
foto divulgação

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ex Terminadora (ExTerminators, 2009)


Quem assina a direção desta comédia é um diretor, mas o roteiro é de Suzanne Weinert. O título nos leva a pensar no que essas mulheres exterminam e a começar pela capa do DVD vemos que se trata de um ajuste de contas entre mulheres e agressores.

Suzanne Weitener
Tudo começa quando uma delas Alex (Heather Graham) é demitida do emprego pelo chefe que em tom cerimonioso e ao mesmo tempo jocoso a despede. Ao chegar mais cedo em casa, encontra o marido com outra mulher mais jovem que a trata por cunhada, supondo que o marido a tivesse apresentado como irmã. Para dissipar a sua angústia, atira-se ao consumo e na disputa por uma blusa acaba socando um homem que comprava a mesma peça para a namorada. A justiça decreta sessões de terapia coletiva quando Alex conhece um grupo de mulheres que foram agredidas, usurpadas por seus namorados, chefes ou maridos.

Nestes encontros, Alex conhece Stella (Jennifer Coolidge), dona de uma empresa de extermínio de animais nocivos herdada de seu avô. Stella, infeliz no casamento, pede divórcio ao marido que trata de roubá-la. Quando retorna para casa, Stella flagra o assalto e desnorteada invade o espaço com carro, atropelando o marido. Afinal, o seu problema era usar o carro como arma. As contigências da vida levaram-na a mudar o objeto de extermínio. Nikki (Amber Heard) uma assistente de dentista é assediada no trabalho. Ela também foi traída quando adolescente na escola. Um rapaz ia oferecer dinheiro para que ela tivesse relações sexuais com o irmão que era retardado. Como ela queria um vestido que não podia comprar, aceitou a tarefa, mas o rapaz não quis pagar. Ela o ameaçou e obteve o valor combinado.  Kim (Joey Lauren Adams) é uma mulher espancada pelo marido; Marsha (Farah White) é uma mulher rica instisfeita e Danielle (Eloise DeJoria) encomenda a morte do esposo. Todas elas têm seus motivos para se livrar dos agressores e as técnicas variam: morte por arsênio, perseguição e “acidentes” de carro, pistola de choque, tortura, entre outras. À medida que elas vão agindo, o número de participantes das sessões vai aumentando, sugerindo que as sessões só teriam efeito se elas não tivessem mais contato com os agressores.

O ambiente é o Texas, como é usual, pois as diretoras gostam de trazer o Oeste dos Estados Unidos como cenário para contextualizar as ações machistas. No bar, como de praxe, enquanto as mulheres estão bebericando, os homens as desrespeitam. Em uma das cenas, o marido de Kim chega no bar e exige que a mulher volte com ele para casa, mas ela resiste e leva um tapa. Nikki toma as dores e parte para cima do marido em defesa da amiga. Em outro momento, um rapaz passa a mão nas nádegas das mulheres enquanto elas passam para o sanitário. Mais uma vez Nikki percebe que as mulheres se sentem desencorajadas para enfrentar o rapaz, embora se mostrem constrangidas, e ateia fogo nele com o isqueiro. Parece uma atitude insana, mas haveria outrra forma? As mulheres são desrepeitadas e nada podem fazer, a não ser indignarem-se, até que uma delas cometa uma "loucura", isto é, enfrente os agressores.

O filme é para ser uma comédia, mas traz questões seriíssimas sobre a violência contra as mulheres e sobre a forma das mulheres agirem em função da impunidade e morosidade da justiça. Com os extermínios, as mulheres começam a buscar ajuda para os seus problemas imediatos, deixando a polícia sem ação, já que as mortes são silenciosas “silent revolution” e elas não delatam uma as outras, mesmo uma delas tendo um relacionamento amoroso com um dos investigadores.

Exterminadoras é um filme para ser visto com olhos críticos porque trata de questões que interessam as mulheres, inseridas em um mundo machista no qual a sobrevivência depende do grau de coragem, resignação ou de loucura. Esta loucura representa a resposta a uma loucura muito maior que é o sexismo e o machismo.

Vale a pena assistir.

Ficha Técnica:

Título no Brasil: Exterminadoras
Título Original: ExTerminators
País de Origem: EUA
Gênero: Comédia
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Estúdio/Distrib.: Vinny filmes
Direção: John Inwood

Elenco Principal:
Heather Graham ... Alex
Jennifer Coolidge ... Stella
Matthew Settle ... Dan
Amber Heard ... Nikki
Joey Lauren Adams ... Kim
Sam Lloyd ... Hutt
Farah White ... Marsha
Drena De Niro ... Dr. Press
Glenn Morshower ... Boss
Kathy Lamkin ... Land Lady
Charlie Robison ... Rick
Andy Buckley ... Steven Cantor
Jeff Schwan ... Detective Pete
Eloise DeJoria ... Danielle

Fontes:
http://www.imdb.com/name/nm0918299/ - IMDB
http://www.imdb.es/title/tt1209378/#comment - IMDB

domingo, 11 de março de 2012

A informante (Whistleblower, 2010)

Denso. Dramático. Angustiante.

Larissa Kondracki e Eilia Kirwan
O filme dirigido por Larissa Kondracki e roteirizado por Eilis Kirwan e a própria Larissa Kondracki é imperdível, sobretudo para quem se interessa pelas questões de gênero e pela violência contra a mulher. Diferentemente dos filmes que comumente assistimos, em que as mulheres são violentadas pelos seus maridos, ou seja, tratados como um assunto privado, o filme de Kondracki destaca o lado público da questão, expondo a rede internacional de tráfico de mulheres, tendo como fundo o momento pós-guerra na Bósnia. A atriz Rachel Weisz vive uma policial, Kathy, que é enviada para a Bósnia para ser mediadora da paz, na condição de pacificadora das Nações Unidas (ONU). Porém, ao chegar à Bósnia vê o quanto as mulheres são maltradas por razões étnicas e de gênero, sendo violentadas abusivamente por homens de diferentes setores da sociedade: donos de bar, policiais e agentes internacionais, todos envolvidos no tráfico de mulheres.

As cenas são fortes e mostram as torturas vivenciadas pelas mulheres forçadas a realizarem as fantasias mais perversas dos homens. Uma delas Raya acaba conhecendo a policial Kathy que pretende defendê-la, mas não consegue diante da corrupção entre os seus colegas de corporação.

O filme expõe uma rede internacional bilionária que vive do tráfico humano e do sofrimento de várias mulheres, adolescentes e jovens que partem em busca de melhores condições de vida e se deparam com situações de extrema violência. Em uma das cenas, Raya é violentada por um cano de ferro, enquanto às outras são forçadas a assistirem a cena, como exemplo a não ser seguido.

Baseado em fatos reais, ficamos perplexos com o fato de pessoas subjugarem outras no limite da degradação humana, animalizando-as e transformando-as em escravas do prazer em uma sociedade decaída e devastada pela guerra. Reconstruir um país com os vícios daqueles que vão promover a paz parece irônico, soa zombeteiro, na medida em que um país fragilizado pela guerra acaba não recebendo ajuda, mas, ao contrário, sendo alvo de traficantes de toda ordem.

Fico imaginando a Grécia...

Mais uma vez as diretoras de cinema mostram um cinema engajado politicamente feminista.

terça-feira, 6 de março de 2012

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NOS FILMES


Uma mulher casada ou solteira é submetida a maus tratos pelo marido ou amante. Esta ideia já serviu de roteiro para vários filmes e a postagem aqui seria longa se analisássemos cada um deles. Alguns destes filmes foram dirigidos por homens, outros por mulheres, mas o importante é que o tema tem sido bastante filmado ao longo dos séculos. O que isso significa?

No dia 08 de março, o mundo se volta às questões da violência contra a mulher, não que em outros dias esta situação não seja acompanhada com intervenção de entidades e de pessoas, mas neste dia formou-se uma rede de ações que dão visibilidade a um problema sério no tecido social. Um problema que adoece a sociedade, transformando os homens em criminosos e as mulheres em cadáver.

A sociedade tem sido a mortalha para muitas mulheres.

Os filmes que tratam da violência contra a mulher são em geral ambientados no espaço domiciliar, com maridos violentos que buscam a todo custo submeter às mulheres a maus tratos físicos e psicológicos. Eis alguns:

Tina, de Bran Gibbson, 1992: narra a história da cantora Tina Turner que sofria na vida real violência de seu marido Yve Turner. No cinema, a atriz Angela Basset personificou a cantora.

Dormindo com o Inimigo, Joseph Rubem, 1990: narra a história de uma mulher recém-casada que é submetia a cárcere privado e violência doméstica. O filme foi estrelado por Julia Roberts.

Nunca Mais, Michael Apted, 2001: O filme conta a história de uma garçonete (Jennifer Lopez) que se casa com um homem rico e sofre extrema violência física durante o casamento.

Terra Fria, Niki Caro, 2005: uma mulher vai trabalhar em uma carvoaria e sofre todo tipo de violência, desde a física à psicológica.

Enquanto Ela está Fora, de Susan Monford, : uma mulher casada com um filho sofre violência do marido. Durante uma das agressões, ela sai para comprar papel de presente e no estacionamento do shopping é acuada por quatro homens que resolve persegui-la.

Thelma & Louise, Ridley Scott, 1991: Apesar de ser dirigido por Scott, o filme foi escrito por Callie Khouri, uma das poucas cineastas feministas norte-americanas que consegue comercializar seus filmes. Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon) são amigas e resolvem sair no final de semana para se divertirem. Thelma é casada com um homem machista e Louise tem uma relação com um homem, biotipo latino, assim como o de Thelma, que também é violento. Durante a viagem de lazer, após paparem em um bar, Thelma é quase estuprada por um homem que é morto por Louise.

Terras Perdidas, Jocylin Moorhouse, 1997: narra a história de três irmãs que são sexualmente aliciadas pelo pai, provocando grandes traumas nas duas. Além disso, o filme mostra ainda como as mulheres são sacrificadas pela ignorância, pois uma delas desenvolve câncer de mama e a outra esterilidade em razão de substâncias tóxicas encontrada na água.

Esposas de Stepford, de Brian Forbes, 1975: narra a história de uma mulher casada, com dois filhos, que trabalha fora, mas é persuadida a morar em um subúrbio onde as mulheres vivem exatamente como os homens desejam, mas para isso elas precisam morrer.

Flor do Deserto, de Sherry Hormann, 2009: o tema principal é a mutilação. Uma mulher africana é mutilada, mas na fase adulta consegue ir para Londres onde começa a trabalhar como garçonete. Neste lugar, um homem a convida ser modelo.

Encantadora de Baleias, Niki Caro, 2002: uma menina é rejeitada pelos patriarcas maori por ser mulher, muito embora tenha todo o perfil de líder espiritual, mais do que os meninos.

Meninas, Sandra Werneck, 2006: a violência social funde-se com a de gênero. Em forma de documentário, várias histórias de adolescentes se cruzam, mostrando a violência que sofrem no dia-a-dia pelo fato de serem mulheres. Um dos temas é a gravidez na adolescência.

O Poder do Amor, Lasse Halsström, 1995: com roteiro da feminista Callie Khouri, o filme mostra a opressão de um pai e marido sobre as filhas e esposa.

O Piano, Jane Campion, 1993: o filme narra a história de uma mulher, mãe solteira, muda, que é enviada para a Nova Zelândia a fim de se casar com um homem que sequer conhece. Lá sofre violência por parte do marido e do amante.

Razão e Sensibilidade, Ang Lee, 1995: No século XIX, duas irmãs vivem os dissabores por serem pobres, sem dote, considerando que este era uma condição sine qua non para o casamento. É a violência de uma sociedade contra as mulheres.

Sonhos Roubados, Sandra Werneck, 2009: três amigas adolescentes que moram na periferia são abusadas por amantes e padrastos. Gravidez, estupro, aliciamento, são temas deste filme.

Tomates Verdes & Fritos, Jon Avinet, 1991: narra a história de duas amigas que abrem um restaurante, sendo que uma delas é casada e sofre violência doméstica.
 
A lista é enorme, mas fico por aqui. Podemos perceber neste pequeno corpus o quanto os anos 90 foram profícuos para o tema da violência contra a mulher.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Oscar 2012 e outras coisas mais

O Oscar 2012 não traz diretoras concorrendo à estatueta. O que é lamentável. Os homens são absolutos nesta versão:


Michel Hazanavicius - "O artista"
Alexander Payne - "Os descendentes"
Martin Scorsese - "A invenção de Hugo Cabret"
Woody Allen - "Meia-noite em Paris"
Terrence Malick - "A árvore da vida"


No entanto, em outras categorias, como melhor roteiro, vemos a presença delas. Em Missão Madrinha de Casamento, Kristen Wiig e Annie Mumolo tentam levar o prêmio com uma história que tem sido o filão de muitas diretoras, o gênero comédia-romântica com peripécias matrimoniais. No entanto, como elas são estratégicas, e não poderia deixar de ser, conseguem passar por meio de assuntos corriqueiros e sem muita importância questões sérias, não vou tecer maiores reflexões. Terei de assistir antes.


O interessante em relação a tudo isso é que somente a função de diretor é marcada nominalmente, os outros componentes da ficha técnica ficam à sombra do filme. Qual o risco disso: dar importância aos outros profissionais? Torná-los conhecidos para o público? Fora o diretor, apenas o compositor da trilha sonora possui destaque nominal, mas isso tem raízes históricas.


Houve um tempo em que o compositor da trilha sonora tinha o mesmo status do diretor, inclusive em muitos filmes, os mais antigos, isso era identificado com um realce gráfico: o tipo e o tamanho da letra para ambos eram os mesmos. O nome vinha isolado na tela e centralizado. Além disso, quando os nomes do diretor e compositor apareciam, os acordes ficavam mais intensos, mostrando ao espectador que aquelas pessoas eram valiosas, mereciam atenção. Hoje em dia, o compositor perdeu o status e o diretor vem disputando com o produtor o lugar de realce, já que este aparece antes da narrativa iniciar, tendo uma vinheta especialmente feita para a sua aparição. Como se esquecer da vinheta da FOX com aquele número 20 dourado em contraplongé com as luzes dos holofotes cruzando o ar sobre o seu número?


Em termos de Brasil, a quantidade de filmes lançados ainda não tornou familiar as marcas das produtoras brasileiras, o que pode ser considerado um ponto positivo, embora algumas marcas já começem a se sobressair: a Quanta, a Raccord, Araçá Azul, Bossa Nova, Foccus, 02, Panda, REC. A logomarca é imprescindível para a sua fixação na memória do espactador. A Raccord, por exemplo, é uma das mais criativas, a meu ver: traz um terminologia do cinema, raccord, emoldurada por uma película de filme e a figura de um elefante. O site Cinema do Brasil, um programa feito para incrementar a política de exportação de filmes através de co-produções, possui em seu cadastro 117 produtoras de filmes, fora as outras que não são associadas ao programa.
Voltando ao Oscar, resta aguardar para ver se as mulheres que compõem outras funções menos visíveis, como figurino, no qual elas historicamente têm tido maior representatividade, serão as eleitas pela academia.


Parece-me que no quesito trilha sonora, na qual participam o brasileiro Carlinhos Brown e Sergio Mendes, este há muitos anos radicado nos Estados Unidos, o Brasil tem grandes chances com o filme Rio. Há duas concorrentes apenas e, embora não tenha escutado a música do outro filme, acredito e confio no trio de compositores, dos quais dois são brasileiros e uma é norte-americana.

Fonte: http://www.cinemadobrasil.org.br/produtoras_list.php

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Adiamento do Retorno

Em razão dos problemas que a cidade vem sofrendo nos últimos dias, resolvi, por prudência, adiar o curso para o dia 25 de fevereiro. Esperamos por todas(os) vocês.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

II CINEMA E MULHER - RETORNO DAS FÉRIAS

Voltamos às nossas atividades extensionistas com o II Cinema e Mulher. Temos mais dois dias - 04 e 11 de fevereiro e daí encerraremos esta versão. Não se esqueçam do TCCEX com uma análise sobre um filme dirigido por uma mulher brasileira. Data de envio até 18/02.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Elektra: uma heroína sem par

Não é um filme dirigido por uma mulher, mas traz uma protagonista que emana força, poder e, ao mesmo tempo, docilidade e afetividade, mas isso tudo não inclui necessariamente uma convivência com outra pessoa.
 
Antes de falar na personagem, gostaria de registrar como o filme antecipa o seu conteúdo, o seu tema, a atmosfera mítica. As fontes dos créditos são do tipo letra clássica, a exemplo das letras “E” que adquire a forma “Ʃ” e o “A” a forma “Ʌ” evocando, por contiguidade, pelo símbolo, um contexto histórico, uma cultura, neste caso a grega, de onde a personagem provém. As imagens iniciais reforçam o tempo-espaço mítico ao trazer desenhos que sugerem combates, com seres corporificados, mas sem uma identificação que os torne mais reconhecíveis. Eles se posicionam um de frente para o outro, perfilados, com os corpos inclinados para frente, braços suspensos, roupas sinuosamente afastadas do corpo, sugerindo movimento. A ideia é a de que os grupos estão se movimentando na mesma direção. O cenário de abertura, em forma de desenho, mostra a predominância das cores vermelha e amarela, formando, a partir do amarelo, manchas que tentam englobar o vermelho, porém, no final, o vermelho toma toda a tela, anunciando a vitória de um determinado grupo. A associação do vermelho ao bem ocorre  quando vemos o figurino da personagem Elektra, em vermelho, apesar de só aparecer com ele no início e no final do filme, ao contrário das cenas intervalares nas quais ela aparece de preto. Esta escolha cromática para o seu vestuário não é sem um propósito, principalmente em dois momentos simbólicos do filme: no início, para apresentar a personagem, e no final, quando ela realiza a sua luta mais importante de combate ao mal. O vermelho simboliza vida, luta, caça e produz efeito psicológico de intimidação.

A narrativa

A narrativa começa com o conhecido “era uma vez”, endossando a referência espaço-temporal sem uma origem marcada. Esta fórmula temporal, muito conhecida por todos das narrativas populares e que fazem parte também das narrativas infantis, torna a ação uma experiência ancestral com a qual o leitor/espectador contemporâneo é convidado a filiar-se, facilitando a sua transposição para um outro tempo e lugar, mas que ao mesmo tempo o faz  redefinir a sua realidade, imbricando as ações ficcionalizadas com as experiências cotidianas. É neste momento da narrativa fílmica que o narrador apresenta ao espectador as forças que estarão em conflito – bem x mal –  buscando mostrar ao leitor o caráter universal e moral desta polaridade maniqueísta, embora a própria personagem carregue essa  dubiedade, uma vez que ela é a heroína que mata por vingança, sentimento pouco nobre dentro da convenção do heroi. 

No início do filme,  as mortes decorrem de uma razão pessoal, que é mostrada como algo negativo, porque atribui-se os gestos da heroína à vingança, mas esta visão é transformada quando deslocada para uma razão coletiva, positiva, porque baseada em justiça. Na linguagem visual, isso fica muito perceptível pela atuação da proagonista, quando ela age por interesse particular, está tensa, séria, agressiva, mas quando ela passa a agir de forma que evoque no espectador uma aceitação às suas mortes, ela aparece mais leve, já sorri.

A voz narrativa masculina menciona, no desenrolar da história, que o guerreiro que estabeleceria a vitória do bem seria uma mulher sem mãe, órfã. A morte das mães pode estar associada ao poder da gestação e menos da fecundação, já que a ênfase está na condição de gerir. Daí a razão das duas mães serem mortas pelo grupo oponente. Esta leitura, no entanto, pode ter outra conotação: a de que caberia à mulher resolver os problemas do mundo através da “pureza da alma”, algo que não fica muito evidente nos filme do mesmo gênero quando protagonizados pelos homens. Em O Demolidor, por exemplo, no qual Elektra aparece, os dois são treinados por ninjas e desenvolvem poderes sensoriais, mas em Elektra, ao colocá-la contracenando com uma criança, contribui para a atualização de uma formação discursiva pautada na maternidade, já que a estrutura, o fio condutor da ação está na relação mãe-filha já inserida na narrativa pelas memórias de Elektra. Assim, mãe-Elektra(filha)/Elektra (“mãe”) - Abby (filha) expõe um jogo em que a lacuna marcada pela orfandade irá conduzir as ações das personagens femininas, já que a mãe de Abby morreu, ficando um espaço que Elektra passa a ocupar ainda que momentaneamente. Diferentemente de Elektra, Abby, a menina que ela passa a defender, tem pai.

O final é interessante porque a triangulação formada pelo núcleo familiar está prestes a ser materializada, mas já foi formada antes por outras associações, e talvez o espectador espere que Elektra passe a ocupar o espaço da mãe, até porque já havia uma insinuação de romance entre Elektra e Mark, pai de Abby, ajudando, com isso, a reforçar a expectativa da formação de uma família nuclear. Contudo, isto não ocorre. Abby pergunta se Elektra voltará a vê-la e Elektra responde com uma possibilidade. A heroína segue sozinha e com a certeza de um dever cumprido.

Esta forma de manipular com a expectativa pode ser interessante do ponto de vista recepcional, para percebermos o quanto o espectador está imbuído de um imaginário que pode ser frustrado ou não, em que uma mulher, jovem, bonita (nos padrões midiáticos) abre mão de uma vida familiar para seguir sozinha as suas façanhas pelo mundo afora. Em um mundo em que as mulheres são empurradas discursivamente para uma inevitável forma de viver em par, as mulheres sem par, as odd women, aparecem como seres estranhos. Elektra aparece assim como uma resposta positiva a muitas mulheres que optaram por viver sozinhas.

 
Ficha Técnica
título original:Elektra
gênero:Aventura
duração:1 hr 37 min
ano de lançamento: 2005
site oficial: http://www.elektramovie.com/
estúdio: 20th Century Fox / Marvel Entertainment / New Regency Pictures / Horseshoe Bay Productions
distribuidora: 20th Century Fox Film Corporation
direção: Rob Bowman
roteiro: Raven Metzner, Zak Penn e Stu Zicherman, baseado em estória de Zak Penn e na personagem criada por Frank Miller
produção: Avi Arad, Gary Foster e Mark Steven Johnson
música: Christophe Beck
fotografia: Bill Roe
direção de arte: Eric Norlin
figurino: Lisa Tomczeszyn
edição: Kevin Stitt
efeitos especiais:Schminken Studio Inc.

sábado, 7 de janeiro de 2012

FILMES NACIONAIS EM 2012

Durante o ano de 2011, sete longas-metragens foram exibidos nos cinema brasileiros:

De Pernas pro Ar (3,5 milhões), Cilada.com (2,9 milhões)
Bruna Surfistinha (2,1 milhões),
Assalto ao Banco Central (1,9 milhão),
O Palhaço (1,4 milhão),
O Homem do Futuro (1,2 milhão)
Qualquer Gato Vira-lata (1,1 milhão).

 Em 2012, serão lançados 25 longas brasileiros com datas já definidas de estreia.  Isto sem contar com Faroeste Caboclo, Febre do Rato e O Abismo Prateado que ainda não têm data de lançamento estabelecido.

Vejam os filmes de 2012:
06/01 - As Aventuras de Agamenon, o Repórter, de Victor Lopes 
20/01 - 2 Coelhos, de Afonso Poyart 
20/01 - A Música Segundo Tom Jobim, de Dora Jobim 
03/02 - Mãe e Filha, de Petrus Cariry 
17/02 - Hotxuá, de Letícia Sabatella 
17/02 - Reis e Ratos, de Mauro Lima Março - A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra 
02/03 - Billi Pig, de José Eduardo Belmonte 
09/03 - Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca 
09/03 - A Novela das Oito, de Odilon Rocha 
16/03 - Heleno, de José Henrique Fonseca 
23/03 - Giovanni Improtta, de José Wilker 
23/03 - Raul - O Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho 
30/03 - Traço Concreto, de Danilo Pschera e Eduardo Baggio 
06/04 - Xingu, de Cao Hamburger 
13/04 - Nervo Craniano Zero, de Paulo Biscaia Filho 
13/04 - Onde a Coruja Dorme, de Márcia Derraik e Simplício Neto 
27/04 - Corações Sujos, de Vicente Amorim 
27/04 - Paraísos Artificiais, de Marcos Prado 
18/05 - À Beira do Caminho, de Breno Silveira 
08/06 - On the Road, de Walter Salles
29/06 - E Aí, Comeu?, de Felipe Joffily
13/07 - Totalmente Inocentes, de Rodrigo Bittencourt 
20/07 - Somos Tão Jovens, de Antônio Carlos de Fontoura 
05/10 - Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Roberto Santucci

Dos 25, apenas um (!) está sendo dirigido por uma mulher.

FILMES DE TEMÁTICA NATALINA

Enfim, de volta! Depois de anos de ausência, agora já aposentada, resolvi retomar a escrita e os blogs. Hábito do ofício. Ultimamente tenho ...